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terça-feira, 10 de outubro de 2017

Sucesso de transplantes de fígado está relacionado diretamente com experiência da equipe de assistência e qualidade do centro transplantador


Procedimentos realizados no Hospital Quinta D’Or alcançam a marca de 95% bem-sucedidos

“Tão importante quanto o transplante, é o sucesso dele”. A afirmação é do coordenador do serviço de transplante hepático do Hospital Quinta D’Or, Dr. Lucio Pacheco, que é incansável quando o assunto é salvar vidas. Com sua equipe, alcança a marca de 95% de transplantes de fígado bem-sucedidos, considerando casos de alta complexidade. E este dado se torna ainda mais relevante quando se observa que muitos dos pacientes com doença do fígado morrem antes de conseguirem o transplante.

- A espera pelo transplante de fígado pode ser um processo longo para muitos pacientes, que têm que se submeter a tratamentos conservadores e sofrem impactos relevantes em sua qualidade de vida. O que observamos é que há uma fila relevante para o transplante no Brasil, mas ela se dá mais pela falta de doadores do que pela estrutura instalada para a realização. A realidade é que muitos pacientes morrem antes de conseguir o doador – destaca o especialista.


A condição mais frequente, em adultos, que leva ao transplante de fígado é a cirrose hepática. Além disso, o tumor primário de fígado é outra indicação frequente de transplante de fígado. Em crianças, a principal indicação é uma doença congênita, chamada Atresia de Vias Biliares. No entanto, ainda é um grande obstáculo a negativa familiar, hoje, cerca de 47% não autorizam. É preciso que todos tenham consciência de que os órgãos de um familiar falecido podem contribuir diminuindo a dor de tantas outras famílias.

- Temos conhecimento de que ainda há receio quanto ao que é morte encefálica. É preciso que todos tenham ciência de que há protocolos muito bem estabelecidos para confirmação da morte encefálica e que morte encefálica é irreversível. É este o diagnóstico que viabiliza a doação dos órgãos. A doação de órgãos é um assunto deve ser comentado constantemente. O ideal é que as famílias falem sobre isso antes do óbito, pois em muitos casos é um assunto deliciado para ser tratado. Estimulamos que o tema seja exposto em reuniões de família, já que cabe a ela a decisão final quanto a doação ou não dos órgãos – complementa o Dr. Lucio Pacheco.

Como escolher um hospital para realizar um transplante de fígado? – No Brasil, o transplante hepático só pode ser feito por uma equipe e um hospital credenciado pelo Sistema Nacional de Transplantes para realizar este procedimento. O resultado destes centros não é divulgado, como é feito nos Estados Unidos. A escolha do centro de transplante é um fator muito importante para o sucesso do procedimento, principalmente para pacientes com doença mais avançada, isto é, com alto grau de gravidade. 

- O que observamos é que com uma equipe especializada e coesa o potencial de sucesso cirúrgico e de sobrevida a longo prazo aumenta. Além disso, uma equipe multidisciplinar experiente em um hospital bem equipado possibilita que o paciente tenha um diagnóstico mais ágil e a definição de conduta mais correta com o menor tempo possível – explica o coordenador do serviço de transplante hepático do Hospital Quinta D’Or, Dr. Lucio Pacheco.

Cerca de 95% dos procedimentos de transplante de fígado realizados em pacientes graves, no Hospital Quinta D’Or, são considerados bem-sucedidos. Isso ocorre, pois a equipe de assistência, desde diagnóstico ao pós-transplante atua de forma integrada, na discussão do caso, identificação do diagnóstico e da conduta. Conta com parque de imagem completo (tomografia computadorizada, ressonância magnética, ultrassom e serviço de endoscopia estruturado). Outra questão relevante é a composição da equipe, com hepatologista, cirurgiões, radiologia diagnóstica, radiologia intervencionista, oncologia e endoscopia.

Além disso, o Quinta D’Or dispõe de uma Unidade de Tratamento Intensivo especializada na doença hepática, o que potencializa a assistência ao doente hepático em casos graves, tendo indicação ou não do transplante.

Transplante Intervivos – O transplante de fígado intervivos é uma prática possível e condiz na retirada de parte do órgão de pessoas sadias para doação ao paciente com doença no fígado. Inicialmente, era uma opção voltada para crianças, pois a cirurgia no doador é um pouco menor. Atualmente, também é feito transplante intervivos de fígado em adultos. A compatibilidade principal é o tipo sanguíneo ABO, seguida por avaliação de peso e altura do paciente e do doador. Outros pontos também são considerados como o tamanho do fígado a ser doado e a estrutura anatômica do doador e receptor, como veias, artérias e vias biliares.


O doador não precisa ser membro da família, mas é necessário que seja uma ação voluntária, respeitando os critérios éticos. A lei brasileira diz que parentes até 4º grau e conjugues podem doar sem autorização judicial.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Exercícios físicos também auxiliam no combate ao mal de Alzheimer

A prática ainda contribui para que seja retardado o desenvolvimento da doença

A saúde da mente está mais ligada às atividades físicas do que se imagina. Estudos da neurociência já comprovaram que a prática de exercícios físicos é capaz de diminuir o risco de desenvolver diversas doenças, não apenas as cardíacas como se imaginava recentemente. O mal de Alzheimer é uma delas. Atos simples como subir escadas e caminhar podem reduzir os riscos de desenvolvimento da doença, que, atualmente, afeta 1,2 milhões de brasileiros.



- Além da prevenção, a prática de exercícios físicos também pode minimizar os sintomas do Alzheimer, melhorando a ‘comunicação’ entre as áreas cerebrais afetadas pela doença. O exercício aumenta tanto a expressão gênica quanto a proteína do BDNF, substância que favorece a formação dos neurônios – explica Dr. Paulo Mattos, médico e pesquisador do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR).

Atividades aeróbicas também contribuem para uma melhor irrigação sanguínea do cérebro, mais um fator que pode contribuir para a diminuição do risco do surgimento da demência. Curiosamente, a atividade física parece ter mais influência positiva no envelhecimento cerebral e na prevenção das demências do que a manutenção de atividade intelectual pós-aposentadoria, algo que sempre foi muito repetido.

Associado à velhice, o mal de Alzheimer ocorre em aproximadamente 60% dos casos de demência entre pessoas acima dos 60 anos de idade. Com o aumento da expectativa de vida da população mundial, a projeção é que haja cada vez mais idosos e, consequentemente, mais demência.

- É importante que o olhar e o cuidado estejam direcionados não só para o paciente com Alzheimer como também para a família que, sobretudo no fim da doença fica muito sobrecarregada. Como não há cura, é preciso que alternativas sejam inseridas na rotina para que o dia a dia se torne menos desgastante. A atividade física se torna uma aliada também na promoção do bem-estar e contribui para que o paciente permaneça ativo, mesmo que através das tarefas diárias – pontua a psicóloga Mariana Guedes, que coordena o Grupo de Apoio a familiares de pessoas com Alzheimer do Hospital Rios D’Or.

Clínica da memória – O Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) mantém no Rio de Janeiro o serviço “Memory Clinic”, primeiro do estado a oferecer os diversos exames necessários para o diagnóstico de demência. Com o intuito de justamente avaliar indivíduos com queixas de memória, o serviço utiliza os protocolos mais modernos de investigação, como avaliação clinico-neurológica, neuroimagem e neuropsicologia, além do exame de líquor.

- Pelo fato do IDOR ser um centro de pesquisa, muitas investigações precisam esclarecer aspectos importantes sobre demência. Por exemplo, quais fatores determinam se o estágio intermediário, o Comprometimento Cognitivo Leve, irá progredir para demência ou não – finaliza o Paulo Mattos.

Grupo de apoio a familiares de pessoas com Alzheimer – Há sete anos profissionais de diversas especialidades se reúnem e promovem no Hospital Rios D’Or um encontro gratuito, mensal, com familiares e cuidadores de pessoas com Alzheimer. A iniciativa busca colaborar com a melhoria da qualidade de vida de pacientes.

- A família da pessoa com Alzheimer fica ciente do caminho que terá que percorrer, mas cabe a ela a forma com que fará isso. As que buscam se amparar, além da assistência especializada e multiprofissional ao paciente, com condutas de amor e humor, administram as fases com mais tranquilidade, gerando benefícios para todos. É este o estímulo que recebem no Grupo de apoio do Hospital Rios D’Or – complementa a psicóloga.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Gordura abdominal e ausência de atividades físicas contribuem para a síndrome metabólica

Tratamento pode abranger desde a mudança de hábitos de vida até a cirurgia metabólica

Aquele excesso de gordura abdominal pode representar algo além de alguns dígitos a mais na balança. Pode ser sinal de uma síndrome metabólica, que tem como base a resistência do corpo à insulina. Este distúrbio hormonal contribui para o desenvolvimento do diabetes tipo 2, da pressão alta, obesidade e a elevação das taxas de triglicérides, glicemia e colesterol. Todas essas doenças juntas cooperam para o surgimento de problemas cardiovasculares, o AVC e o infarto. Porém, a redução do peso corporal através de atividades físicas, tratamento medicamentoso ou cirurgia metabólica representam o controle, ou até, a cura da doença.

As causas da síndrome metabólica estão associadas à ausência de hábitos saudáveis, como alimentação e atividade física. Um alerta é que além de adultos, as crianças têm desenvolvido a doença cada vez mais cedo.



- Os hábitos dos pais refletem na vida dos filhos. Se eles não buscam uma rotina saudável, logo, as crianças não têm bom exemplo. Além disso, o excesso de uso de tecnologias, como tablet, televisão e celulares, têm contribuído para que as crianças se movimentem cada vez menos.  Isto, juntamente com o fácil acesso aos fast food, coopera para o ganho de peso e o desenvolvimento da síndrome metabólica – pontua a Dra. Monique Lima, endocrinologista do Hospital Rios D’Or.

A falta de uma rotina saudável também é a responsável pelo crescimento dos casos da doença ao longo dos anos, pois a correria diária e a ansiedade têm feito as pessoas consumirem alimentos processados, cheios de calorias, ricos em gorduras saturadas e carboidratos simples, e que, cada vez mais, têm tido menos tempo para se exercitarem. Além disso, a predisposição genética também coopera para o distúrbio, principalmente, àqueles com histórico familiar de diabetes.

Diagnóstico

A síndrome metabólica é diagnosticada através da avaliação física pelo médico - que vai verificar a pressão arterial e a gordura visceral, principalmente a localizada no abdomen, e dos exames hormonais e de sangue - que mostra as alterações nas taxas de colesterol, triglicérides e glicemia. A desregulação desses índices somados à obesidade significam risco à saúde, pois estão ligados ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares - como AVC e infarto - aos casos de infertilidade feminina decorrente da resistência do corpo à insulina, às complicações durante a gestação, e a alguns tipos de câncer, como o colorretal.

Cirurgia metabólica – possível tratamento

Como a síndrome metabólica está muito associada ao sobrepeso, o principal tratamento base é a mudança dos hábitos de vida, incluindo na rotina exercícios e dieta equilibrada.

Dependendo do resultado clínico e laboratorial, há outros tratamentos específicos. Por exemplo, para aqueles que estão com a taxa de IMC acima dos 40kg/m², há a indicação de cirurgia metabólica. Este procedimento, além de focar na redução do peso, também age no controle do diabetes tipo 2, por isto o termo cirurgia metabólica. Para quem está no grau 2 de obesidade, ou seja, com IMC acima de 35kg/m², a cirurgia só é indicada caso tenha ligação com outra patologia, sendo o diabetes, novamente, a principal associação.


- Há outras alternativas para tratar a doença, como os medicamentos, mas isso depende do tipo de alteração da síndrome o paciente tenha e do objetivo do tratamento naquele momento -  finaliza Dr. Monique Lins.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Medicamentos: Como guardar corretamente?

Armazenamento incorreto interfere na composição química dos remédios

É comum ter uma caixa ou um armário cheio de medicamentos acumulados ao longo da vida. Estão ali seja porque sobraram depois de um tratamento anterior, ou para ter em mãos em caso de necessidade. Mas especialista alerta para dois simples detalhes que nem todo mundo se atenta: a data de vencimento e os cuidados no armazenamento.

De acordo com as normas da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), as embalagens dos medicamentos devem conter, dentre outras informações, número do lote, data de fabricação e orientações quanto ao armazenamento adequado destes produtos. As recomendações são armazenar em locais secos, que não tenham incidência de luz solar direta, sem umidade e arejados.



- É importante evitar armários de banheiro por estarem em um ambiente que tem muita umidade, que, somada à temperatura, modifica a estrutura química do medicamento. O ideal é mantê-los dentro de uma maleta, guardada em quartos por exemplo. Prestando sempre atenção à temperatura, que deve estar entre 15° e 30° graus, para a manutenção do produto – explica Rômulo Carvalho, farmacêutico corporativo da Rede D’Or São Luiz e coordenador do curso de farmácia do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR).

Outro ponto que pode sofrer alteração é a data de validade, que é mais vulnerável dependendo da consistência física do remédio. Por exemplo, os antibióticos de suspensões orais – que precisam ser dissolvidos em água – tem serventia de apenas sete dias após abertura do frasco. A fragilidade também vale para colírios e pomadas, sendo os comprimidos os mais fiéis ao prazo de vencimento informado no rótulo, desde que seja utilizado logo após retirado da embalagem.

- A pessoas também costumam guardar os medicamentos na bolsa para tê-los em mãos sempre que precisarem. Mas os cuidados em relação à integridade também valem para estes casos. A aparência é o que vai dizer se o remédio está bom para consumo mesmo se estiver dentro da validade. Se houver descoloração, desmanche, esfarelamento, bolor e, eventualmente, odor, estará impróprio para consumo – detalha Rômulo Carvalho.

Pode cortar o comprimido para reduzir a dosagem? 

Este procedimento não é indicado, pois há uma questão técnica envolvida. O comprimido é feito de componentes ativos e inativos, que não são distribuídos uniformemente, ou seja, partir ao meio não significa que há 50% deles de cada lado. Portanto, o ideal é utilizar a dosagem exata prescrita. Além disso, um erro leva ao outro, pois as pessoas, além de cortar o comprimido, guardam a outra metade para tomar depois. Mas esta deveria ser descartada.

É possível utilizar mais de um comprimido para atingir a dosagem prescrita?

Não há problema tomar mais de um comprimido, desde que a junção destes resulte na dosagem indicada. Por exemplo, para uma prescrição de 10mg, pode ingerir duas pílulas de 5mg.

Qual a melhor forma de descartar os medicamentos vencidos?

Uma possibilidade é verificar se há farmácias próximas e/ou serviços de saúde que funcionem como postos de coleta. Caso não seja recebam, em pequenas quantidades, pode ser direcionado ao lixo comum doméstico.  No entanto, é preciso ficar atento com o descarte de materiais perfurocortantes, como agulhas, para não provocar acidentes.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Atenção ao coração: Especialistas do Grupo Oncologia D’Or e Rede D’Or São Luiz recomendam cuidados durante o tratamento oncológico


No tratamento contra o câncer, o paciente precisa estar atento a diversos cuidados, como ter uma boa alimentação e praticar atividades físicas regularmente. Com a saúde do coração não poderia ser diferente. Especialistas recomendam uma atenção especial ao órgão, que pode sofrer acometimentos por conta de certos quimioterápicos, como aqueles à base de antraciclícos – bastante encontrados em medicamentos contra o câncer de mama, por exemplo.

O avanço da ciência oncológica contribuiu para uma maior sobrevida do paciente com câncer, mas também acabou comprometendo a saúde cardiovascular de quem lutava contra a doença. Isso fez com que oncologistas e cardiologistas se unissem para um melhor atendimento.



Segundo Gilberto Amorim, oncologista clínico do Grupo Oncologia D’Or, o papel do oncologista é avaliar adequadamente a necessidade de tratamento com quimioterapia à base de antraciclícos, se existem fatores de risco cardiovascular ou doenças cardíacas prévias como angina, infarto, dislipidemia, arritmias e hipertensão grave. “Havendo alternativas, é necessário indicar outros quimioterápicos. E, sempre que possível, solicitar exames básicos de avaliação como o ecocardiograma, por exemplo, e referir os casos para avaliação conjunta com o cardiologista”, afirma o oncologista.

Para Flávio Cure, cardiologista do Hospital CopaStar, da Rede D’Or São Luiz, a avaliação prévia do paciente oncológico é essencial para a evolução do tratamento. Entretanto, o especialista alerta que uma única visita não é o suficiente. “Uma consulta a cada dois meses é o ideal para manter a saúde do coração de quem precisará utilizar medicamentos à base de antraciclícos, por exemplo”, diz.

Para amenizar os efeitos desses medicamentos, o cardiologista explica que existem drogas capazes de evitar o problema. “O uso de beta bloqueadores e inibidores da enzima conversora da angiotensina, por exemplo, atenuam os efeitos cardiotóxicos de certos fármacos”.

Gilberto Amorim ainda lembra que a radioterapia também já chegou a ser uma preocupação. No entanto, ele explica que, com a evolução do tratamento, o cenário mudou.  “Com planejamentos modernos, além de bons equipamentos e equipe especializada, irradiar a mama – e cadeias de drenagem – é muito seguro para a saúde do coração do paciente”, finaliza.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Casos de suicídio aumentam e reforçam a importância de falar sobre o assunto


Transtorno depressivo é uma das doenças que pode levar uma pessoa a tirar a própria vida

Todos os anos, no mundo, mais de um milhão de pessoas tiram a própria vida. Em 2020, a previsão de aumento é de 1,5 milhões de mortes por suicídio ao ano. Os dados assustam, mas fundamentam a importância da Campanha Setembro Amarelo – de prevenção ao suicídio, que pontua que 32 brasileiros se suicidam, por dia – taxa superior às vítimas da AIDS e a maioria dos tipos de câncer. Por ser considerado ainda um tema "tabu", as pessoas fogem do assunto e, por medo ou por desconhecimento não conseguem reconhecer sinais de que uma pessoa próxima está com ideias ou comportamento suicida.



- É bastante difícil compreender o motivo que leva uma pessoa cometer um suicídio, e outras em situações similares não o fazem. Contudo, precisamos levar em conta os fatores emocionais, psiquiátricos, religiosos e socioculturais. Os principais fatores de risco são história de suicídio na família ou de tentativas anteriores de suicídio, e história de transtorno mental. Além disso, perdas recentes podem motivar o ato. Um ponto de atenção é quando a pessoa fala repetidamente sobre o tema da morte ou sobre suicídio – ressalta a psicóloga do Hospital Rios D’Or, Mariana Guedes.
 
Segundo a Organização Mundial de Saúde, 9 em cada 10 casos de suicídio poderiam ser prevenidos, e por isso a esperança e a importância da Campanha Setembro Amarelo: a ideia é "quebrar tabus, falando sobre o assunto, esclarecendo, conscientizando e estimulando a prevenção". Sabe-se que quando ocorre um suicídio, cerca de 6 a 10 pessoas são afetadas diretamente. Então, é de extrema importância compreender o sofrimento não só da pessoa que tentou o suicídio e não alcançou a morte, como também dos familiares, amigos e das demais pessoas próximas.
 
- O suicídio é um problema de saúde pública que não pode ser ignorado. As estatísticas, tanto no Brasil quanto em outros países, têm aumentado exponencialmente. A taxa de suicídio nos Estados Unidos, por exemplo, no início dos anos 2000, era de 11 para 100 mil indivíduos. Em menos de 10 anos esse número aumentou para 13 a cada 100 mil – explica Dr. Paulo Mattos, neurocientista do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) e coordenador do Centro de Neuropsicologia Aplicada (CNA).
 
É importante saber que o trabalho de prevenção do suicídio nunca é solitário, envolve uma parceria com a família e os diversos profissionais (médico, psiquiatra, psicólogo, fisioterapeuta, etc), para que se possa estabelecer um plano de segurança. Além disso, pode-se recorrer ao Centro de Valorização à Vida, através de ligação para o número 141.
 
Depressão: o mal do século – Entre os fatores identificados de desencadeadores do suicídio está a depressão. Mesmo com todos os avanços da medicina, tem afetado milhões de pessoas ao redor do mundo. Considerada a doença do século, a depressão atinge 4,4% da população mundial e 5,8% dos brasileiros, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Os números alarmantes ampliaram o debate sobre o transtorno, mas muito ainda precisa ser feito. Segundo especialistas, falar sobre o problema é um passo importante, já que muitos confundem a tristeza patológica da transitória, provocada por acontecimentos ruins, que podem acometer qualquer pessoa durante sua trajetória de vida.  
 
- A depressão é uma doença que pode afetar pessoas de diversas idades. Por isso, é importante estar atento a certos sintomas, como: fadiga ou perda de energia constante, baixa autoestima, distúrbio de sono (insônia ou sonolência excessiva), estado com o humor triste quase todos os dias, entre outros. O acompanhamento médico é essencial para a evolução do paciente, assim como a participação de amigos e familiares durante este processo – complementa o neurocientista.
 
O especialista destaca que a depressão não é a única doença a levar ao suicídio. A esquizofrenia também pode levar o paciente a tirar a própria vida.
 
FATORES DE RISCO PARA O SUICÍDIO:

- Comportamento retraído ou dificuldade para se relacionar com parentes e amigos;
- Alcoolismo;
- Ansiedade, pânico;
- Mudança na personalidade, irritabilidade, agressividade;
- Pessimismo, depressão;
- Mudança no hábito alimentar ou no padrão de sono;
- Sentimento de culpa, de se sentir sem valor;
- Perda recente importante (separação, divórcio, morte);
- Sentimentos de solidão, desesperança;
- Doença crônica limitante ou dolorosa.

COMO AJUDAR:

- Achar um lugar adequado, onde possa acontecer a conversa com uma privacidade razoável;
- Acolher a dor e o sofrimento, escutando atentamente e com interesse o que a pessoa diz, com calma e sem julgamentos para facilitar a comunicação;
- Aceitar a queixa da pessoa e ter respeito pelo sofrimento dela;
- Expressar respeito pelas opiniões e pelos valores da pessoa;
- Demonstrar preocupação, cuidado e afeto por ela;
- Orientar e acompanhar a busca por profissionais.
 
Centro de Neuropsicologia Aplicada (CNA) - Tanto a depressão quanto a ansiedade são relativamente comuns e podem afetar a atenção e a memória. O aprendizado de crianças e adolescentes, por exemplo, fica comprometido na maioria dos casos. Entretanto, é preciso fazer um diagnóstico preciso entre dificuldades que são secundárias à depressão e dificuldades de aprendizado que, secundariamente, levam à depressão por conta do fracasso acadêmico. Este pode ser um diagnóstico muito difícil, e por isso, o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) se associou, em 2012, ao Centro de Neuropsicologia Aplicada (CNA), que se dedica ao diagnóstico de dificuldades de atenção, memória, linguagem e aprendizado desde 1992.
 
Lá, a equipe liderada pelo neurocientista Paulo Mattos realiza o exame neuropsicológico, que avalia o histórico de sintomas e o comportamento, além das funções intelectuais do paciente, que são: a memória, a linguagem, a percepção visual, a capacidade de planejamento e o controle de impulsos. “No exame, cada uma dessas funções é avaliada de modo objetivo e, depois, é realizado uma correlação de todas elas”, explica Mattos.
 
“No caso de queixas de desatenção, esquecimento, dificuldades de planejamento e até mesmo impulsividade, é fundamental distinguir se elas estão dentro do limite da normalidade ou se fazem parte de um problema que precisa de acompanhamento clínico. O exame neuropsicológico apresenta uma avaliação detalhada, auxiliando o profissional que está responsável pelo caso”, finaliza.
 
O CNA fica na Rua Diniz Cordeiro, 30, Botafogo, no Rio de Janeiro. Além de pesquisas científicas, o Centro de Neuropsicologia Aplicada realiza atendimentos externos.
 

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Atividade física regular pode reduzir sintomas de dor crônica

Atitude do paciente ajuda a ter uma vida com menos sintomas

Caminhadas e corridas nunca estiveram tão presentes na vida do brasileiro. Na última década, movimentar-se é considerado um dos pilares determinantes para a manutenção de uma vida saudável. Mas não só isso, ao contrário do senso comum, que acredita no repouso como combate a algumas doenças, o exercício é indicado pelos médicos como tratamento para dores crônicas.

A dor crônica é definida quando acontece de forma contínua ou intermitente, por um período igual ou superior a três meses. “Este é o tempo mínimo para que o sistema nervoso crie uma memória associada à dor intensa e de longa duração, o que a caracteriza como dor crônica", explica Dr. Thiago Bernardo de Carvalho Almeida, médico do esporte do Hospital IFOR, da Rede D’Or São Luiz.



Ela pode ser combatida com atividade física em diversas ocasiões, como nas dores da região lombar – chamada de lombalgia – que acomete até 85% da população mundial uma vez na vida, segundo dados da literatura médica.

As doenças como a lombalgia, cefaleia, artropatias e osteomusculares relacionadas ao trabalho também podem ser atacadas com a atividade física regular. “São raros os casos de pacientes com artrose em que a atividade física está contraindicada, por exemplo”, explica.

Thiago orienta que no caso da osteoporose, é importante se exercitar tanto na prevenção quanto no tratamento. No caso da fibromialgia, na maioria dos casos, o tratamento medicamentoso não surte efeito se não estiver associado à atividade física. “O uso terapêutico do exercício vem se provando cada vez mais eficiente”, sugere.

Além da atividade física, os especialistas recomendam que os pacientes mantenham também hábitos alimentares saudáveis e uma boa rotina de descanso, pois são fundamentais para a manutenção da qualidade de vida.

O tratamento da dor crônica pode variar de acordo com cada pessoa. Ele cita o exemplo da musculação, que pode ter cargas e repetições diferentes para cada etapa. “Nem sempre o tratamento da dor deve ser individualizado, mas orientado de acordo com as necessidades de cada pessoa. Isso inclui uso de medicamentos, mudança do estilo de vida, prática esportiva, entre outras coisas”.

O Dr. Thiago recomenda ainda que os pacientes procurem uma atividade física ao seu agrado, mas sempre acompanhado de um profissional. “É a manutenção do exercício que trará o bem-estar e uma melhor qualidade de vida”.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Doenças mais comuns em crianças no período escolar


Crianças de até 2 anos de idade possuem uma quantidade de anticorpos ainda relativamente menor que as crianças maiores. Assim, seu sistema imunológico não está maduro o suficiente para defender o corpo com a mesma eficiência que os demais, por isso há tantos eventos seguidos de infecções especialmente respiratórias.  O contato com outras crianças também influencia no aumento dessa frequência, assim como a falta de algumas vacinas que ainda não foram administradas.


Confira a entrevista que a Pediatra Alergista deu para a Rede D’Or São Luiz com algumas dicas importantes para o cuidado com seu pequeno.

1 - Muitas crianças ficam mais doentes depois que começam a frequentar a escola, isso é comum?

Sim, é bastante frequente. Principalmente quando percebemos a tendência atual, na qual as crianças têm ido à escola um pouco mais cedo. Isso tem ampla relação com a faixa etária e com a presença de outros fatores de risco que levem a desenvolver infecção, até mesmo com a própria presença de atopia ou alergias respiratórias.

2 - Quanto mais nova a criança, mais suscetível ela está às doenças?

Sim, isso é verdade. Os bebês até os 2 ou 3 aninhos de idade têm uma quantidade de anticorpos menor do que o adulto, às vezes em torno de 50% a 60% menos. Em virtude disso, e pelo fato de nem todas as vacinas terem sido administradas até essa idade, existe uma vulnerabilidade maior aos processos de infecção que se tornam mais frequentes e às vezes intensos.

3 - Há uma idade recomendada para a criança ser colocada na creche?

Esse é um assunto bem polêmico, ainda mais na sociedade atual, na qual as mães estão inseridas no mercado de trabalho. Existem duas dificuldades. O ideal é, se a situação econômica e a estrutura da família permitir, adiar a creche até os 2 ou 3 anos, em virtude da existência de uma menor quantidade de anticorpos que é natural da idade e devido as vacinas ainda não estarem completas, tendo a criança mais chance de infecção. Por isso, o ideal é esperar a fase de lactente jovem terminar para que a criança frequente a creche. Não sendo possível, a orientação é vacinar e ofertar a alimentação o mais saudável possível.

4 – As infecções ocorrem devido o contato direto com as demais crianças?

É mais uma característica natural dos bebês terem infecções recorrentes não graves (4 a 6 vezes ao ano nos primeiros 2 anos). Nas outras faixas etárias nós teremos outros problemas, como por exemplo: nas crianças de 2 a 6 anos já começa o convívio mais próximo (trocam objetos de uso pessoal, se abraçam...) e com isso acaba ocorrendo a transmissão dos quadros infecciosos entre as próprias crianças, que estarão em ambiente fechado e geralmente confinados. Inclusive no verão intenso, é muito difícil as escolas não usarem ar condicionado, e isso acaba favorecendo um confinamento maior e a transmissão de doenças, especialmente as de vias aéreas superiores e gastrointestinais.

5 - Há um limite para recorrência desses casos? A partir de que idade a criança fica mais suscetível a ter essas doenças e se há idade limite que ela fica mais tranquila e começa a ter uma forma de controle para essas doenças?

Existe o limite para essa recorrência, sim. Nos primeiros 2 anos, espera-se cerca de 4 a 6 episódios infecciosos e sem gravidade, algo que são resolvidos com sintomáticos ou outro evento com antibiótico. Mas existem critérios que chamamos de sinais de alerta, onde essa recorrência passa a chamar atenção do Pediatra, e passa a ser importante a ação do especialista investigando se existe uma baixa imunidade. Um sinal de alerta é se essa criança está usando ao longo do ano mais do que 2 meses do uso de um antibiótico ou se, por exemplo, ela teve uma infecção que demandou uma internação hospitalar para resolver. Esses são sinais de alerta que levam o Pediatra a indicar uma pesquisa mais profunda com o Alergista.

6 - Quais são as doenças mais comuns e quais sintomas?

O que mais acomete as crianças são, sem sombra de dúvida, as infecções nas vias aéreas superiores: a gripe ou resfriado (tosse, coriza, espirros) e em consequência dessa gripe as complicações, como as sinusites, otites e até pneumonia. A pneumonia acomete bastante as crianças em idade escolar, principalmente os pequenos em torno dos 2 a 3 anos e depois a faixa dos adolescentes. Os bebês têm mais infecções virais, especialmente no primeiro ano, e principalmente as relacionadas ao vírus respiratório que dá um quadro um pouco mais difícil, que às vezes precisa da intervenção do Médico Assistente mais de perto.

7- Há vacinas preventivas para essas doenças? Elas estão disponíveis no calendário de vacinação proposto pelo Ministério da Saúde?

Sim. Hoje o Brasil é bastante eficiente no aspecto vacinal. O calendário do Programa Nacional de Imunizações contempla a maior parte das doenças graves, e hoje nós tivemos melhorias importantes com a adição da varicela que é da catapora, uma doença de grandes complicações e muitas internação dos pacientes, as pneumonias estão contempladas, a meningite contemplada com a do tipo C. Tem atualmente uma única vacina que acho que ainda falta nesse calendário do governo: a vacina da Meningite contra a Meningite Meningocócica, que acredito que ao longo dos anos ela será incluída.

8 - Manter as crianças hidratadas e bem alimentadas pode contribuir nessa prevenção?


Sim. Adequadamente sim. Hoje a gente tem fatores muito importantes e a saúde é o resultado de várias ações, onde principalmente entra, além da vacina e a ida regular ao Pediatra, a alimentação. Os nutrientes, os antioxidantes, as vitaminas fazem com que a criança tenha uma imunidade natural, além daquela adquirida com as vacinas. E o hábito de lavar as mãos também reduz a transmissão de infecções em todos os âmbitos.

9 - Quais são as principais dicas para os pais? Existe alguma outra forma de aumentar a imunidade, além da alimentação e hidratação?

É muito importante transmitir para as crianças pequenos hábitos que ajudam na proteção, como por exemplo lavar as mãos. Esse hábito se mostra muito efetivo, porque a criança leva muito a mão à boca. Quando a criança maior que 6 anos implementa essa prática de lavagem das mãos, já ajuda a interromper uma cadeia de transmissão de doenças bastante importantes, principalmente quando saírem de coletivos, de locais públicos e antes das refeições. Isso já vai diminuir bastante a veiculação dos agentes infecciosos. Outra boa prática, se a criança for um pouco maior, é o uso do álcool gel. Ela pode levá-lo na mochila, com isso facilitando essa higienização. Nas meninas a atenção importante é com relação aos objetos de uso pessoal, principalmente escova de cabelo, devido a pediculose (piolho) ser transmitida mais facilmente desta forma. São regrinhas simples do dia a dia que podem facilitar a redução das infecções.

10 - É adequado levar a criança doente para a escola? Quando deve-se levar e quando deixar em casa? Tem algum sintoma principal para optar em deixá-la em casa?

Isso depende da realidade da família. O ideal é a criança ficar em casa com a família, porque ela terá aquele mal-estar, astenia (fraqueza), febre, demandando um pouco mais de cuidado e menos ativa também. Eu considero mais relevante que a criança, iniciando um quadro infeccioso, fique em casa. Até para o benefício dela e do grupo, da coletividade. Porque a ida da criança a um ambiente aonde ela pode transmitir aos colegas ainda sem diagnóstico é um pouco ruim não só para ela, mas como para o ambiente todo que a cerca, que pode ser acometido por um surto ou até por uma infecção um pouco mais grave. Se a família tiver condição de cuidar em casa, o ideal é não ir a escola.

11 - É correto ou é mito dizer que é importante a criança ter algum tipo de doença para desenvolver anticorpo e reforço do sistema imunológico?

Essa era uma prática antiga. Antes da vinda do calendário vacinal adequado nós tínhamos poucas opções de proteção. Hoje não tem muito sentido expor a criança a uma doença prevenível. Hoje as vacinas fazem uma cobertura bastante ampla dos germes mais comuns, então você expô-la desnecessariamente a uma infecção não é recomendável. Naturalmente, as infecções irão ocorrer ao longo da vida e conforme a idade dessa criança avance e toda sua carteira de vacinação esteja completa, ela terá uma imunidade adquirida de forma segura. Lembrando que todo processo infeccioso exposto desnecessariamente, pode evoluir mal, dependendo do agente.

12 - A condição climática da escola também é um fator relevante? Quais cuidados são necessários para o ambiente ficar mais seguro para as crianças?

A questão de temperatura dos ambientes fechados é bastante relevante. Se a criança for alérgica, não tiver seu quadro alérgico bem tratado e estiver confinada numa ambiente com ar condicionado e temperaturas muito baixas, esse ressecamento das vias respiratórias propicia ainda mais a complicações recorrentes da infecção. Outra situação importante para os pais discutirem com as escolas, é na época do ano de inverno e outono utilizarem mais as janelas abertas, para evitar o aumento das infecções trocadas entre as crianças no ambiente.

13 - Existe alguma dica para a escola ou creche conseguir evitar um pouco esta contaminação ou é um pouco inevitável as crianças ficarem doentes, decorrentes do contato?

Seria bom uma formula mágica, entretanto, é bom frisar que o mais importante é a boa saúde que deve ser conquistada ao longo de todos os anos, indo ao Pediatra, cumprindo todas as etapas do calendário vacinal e com a melhor alimentação possível, para que essa criança tenha uma imunidade natural e adquirida somadas para um bom desempenho de sua saúde. Além das boas práticas de higiene como a lavagem de mãos e o uso do álcool gel que ajudam e as escolas podem disponibilizar esse álcool gel nos corredores, muitas já fazem isso. Podem ser somadas às boas práticas algumas Campanhas, como o uso de repelentes prevenindo doenças como a Dengue, a Zika e a Febre Amarela. O cuidado contínuo precisa ser uma parceria entre escola e família.

14 - Tem algum cuidado que os pais podem ter, caso a creche possua aqueles brinquedos de uso comum?

É um pouco difícil, porque não há uma norma proibindo esses brinquedos coletivos. O ideal é que se fiscalize e utilize um brinquedo lavável, evitando resíduos que podem levar a uma contaminação maior das crianças. Hoje as escolas e creches estão mais atentas a isso e tem-se evitado o uso de materiais que possam causar danos às crianças.

É importante que os pais tenham a rotina de levar seus filhos ao Pediatra, para que se faça uma medicina preventiva e nas situações que se tenha risco ou dúvidas, tenha uma referência de uma Emergência Pediátrica que possa contar para que sua criança possa sempre ser bem atendida.

A Emergência Pediátrica do Hospital Barra D’Or além de possuir profissionais altamente qualificados, tem a proposta de unir o acolhimento e agilidade no atendimento a bebês e crianças, sem perda de qualidade.


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segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Rede D'Or São Luiz apoia campanha contra exploração sexual



No Brasil, aproximadamente 500.000 crianças e adolescentes são vítimas da exploração sexual, a maioria entre 7 e 14 anos. Para proteger esse grupo vulnerável, é importante denunciar pelo “Disque 100”, um serviço de recebimento, encaminhamento e monitoramento de denúncias de violência contra crianças e adolescentes.

A Rede D'Or São Luiz apoia esta campanha!

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Envelhecimento saudável é possível?

Especialista afirma que o organismo tem potencial biológico para viver até os 130 anos

A genética é responsável por 35% do envelhecimento enquanto fatores externos representam 65%. Ou seja, os hábitos e os estilos de vida influenciam diretamente na longevidade e na qualidade da saúde na terceira idade. O ser humano tem potencial biológico para viver até 130 anos, porém
, fatores como sedentarismo, fumo e estresse reduzem a expectativa de vida. O desafio é focar nas atividades positivas e adquirir uma rotina de bons costumes para viver cada vez mais e melhor.

O estresse, um dos grandes malefícios atuais, reduz a produção de endorfina, o hormônio do bem-estar, contribuindo para maus hábitos de vida. Um indivíduo estressado busca meios para relaxar, e, muitas das vezes, encontra o prazer no cigarro, na bebida e no consumo de exagerado de alimentos pouco saudáveis. Além disso, as pressões do dia a dia cooperam para o desenvolvimento da depressão. Problemas que irão impactar na idade mais avançada.



- O segredo para a longevidade é a busca pela autonomia e a capacidade funcional. Ou seja, ter controle sobre sua vida, para tomar decisões pessoais sobre o que se deve viver diariamente, e manter as habilidades físicas e mentais. Aliado a isso, é aconselhável pôr em prática atitudes que irão possibilitar um envelhecimento saudável e garantir qualidade de vida tanto para agora quanto para o futuro – afirma o Dr. André Baião, geriatra do Hospital Caxias D’Or.

Outro fator preventivo são os avanços da medicina, que possibilitam detectar e tratar precocemente alterações, cognitivas ou físicas, na rotina do paciente. Isso impede que as pessoas não desenvolvam tais problemas ao ponto de interromperem a vida. “A medicina avançou não só no ponto tecnológico, como também na abordagem com os pacientes. Isso faz as pessoas viverem mais”, finaliza Dr. André Baião.

Para viver mais e melhor:

- Não fumar e não ingerir bebida alcóolica em excesso;
- Optar por alimentação saudável, para evitar o excesso de peso e problemas de saúde;
- Praticar atividade física para manter a saúde dos ossos;
- Manter relacionamentos estáveis;
- Ter jogo de cintura para saber lidar com as situações de forma tranquila;
- Utilizar das políticas de prevenção e promoção da saúde, como as vacinas disponíveis – também para a terceira idade;
- Rastrear precocemente danos auditivos e visuais, de alteração de humor e de perdas cognitivas;
- Prevenir a deficiência nutricional;
- Prevenir o isolamento social;
- Prevenir a perda da autonomia e independência;
- Educação, para a pessoa ter consciência e clareza sobre o que é saudável para si.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Inverno é vilão para quem sofre de asma

“Controle de ambiente” pode ser fundamental para contornar as crises nesta estação

Para algumas pessoas, a chegada do inverno pode interferir apenas na vestimenta – pois recorrem às roupas mais quentes para se protegerem do frio. Porém, para os asmáticos, essa mudança climática tem um agravante, traz fatores que podem prejudicar a respiração, como o ar seco e a queda brusca de temperatura. Somados a eles, a exposição à poeira, fumaça, aos ácaros, fungos e odores fortes são castigos para quem sofre do problema, principalmente às crianças. Levantamento feito pelo Ministério da Saúde, entre 2003 e 2013 – divulgado em 2016 – indica que a asma foi responsável por 38% das internações hospitalares por doenças respiratórias crônicas.



A asma é caracterizada por uma inflamação que afeta os bronquíolos pulmonares, prejudicando a passagem do ar para os pulmões. Por causa disso, o paciente apresenta, entre outros sintomas, falta de ar, tosse, cansaço, dor e sensação de aperto no peito. Se for tratada de maneira adequada, sua tendência é não evoluir, não se agravar. Por isso, é importante o paciente iniciar o tratamento assim que receber o diagnóstico, que tem conduta terapêutica específica para cada caso.

- A doença, geralmente, tem origem genética, sendo mais propensa em crianças que tenham dermatite atópica. Ela é agravada, também, pelos fatores do ambiente aos quais os pequenos são expostos logo na primeira infância, como exposição à fumaça de cigarro e às viroses respiratórias. Apesar de não ter cura, o tratamento é essencial para a não progressão da doença – orienta a Dra. Maria Fernanda Motta, coordenadora de pediatria do Hospital Rios D’Or.

Dentre as medidas para evitar crises respiratórias, está o que os especialistas chamam de “controle de ambiente”, que são ações simples que qualquer um pode tomar para ajudar os asmáticos nessa estação. Algumas delas são:

- Aderir hábitos de higiene para não contrair viroses respiratórias;
- Lavar roupas de invernos, roupas de cama e bichos de pelúcia e colocá-los ao sol;
- Usar capa antialérgica no colchão e travesseiro;
- Evitar o uso de ventiladores que podem levantar poeira;
- Manter o filtro do ar-condicionado limpo;
- Utilizar desumidificadores de ar em ambientes muito úmidos; umidificadores podem cooperar para a proliferação de mofo.

Além disso, evitar ambientes fechados, aglomerados e mofados; não ter contato com crianças gripadas; e não trocar brinquedos usados por outras crianças, principalmente aqueles que vão à boca.

Confira alguns mitos e verdades sobre a doença:

Asma é mais perigosa em crianças do que em adultos.
Mito. Existem asmas mais perigosas em crianças e asmas mais perigosas em adultos. A gravidade é individual.

Criança com asma pode fazer atividade física.
Verdade. Atividade física aumenta a capacidade ventilatória. A única restrição é se a criança estiver em crise, pois precisa de repouso. Mas, se a doença estiver controlada, a atividade física é uma boa aliada.

Asmático pode ter animais de estimação.
Verdade, mas depende. Pode ter se a pessoa não for alérgica a esses animais de estimação, ou seja, desde que o componente da asma não seja por alergia ao animal. Quem determina isso é o alergista.

O uso de ar condicionado faz mal.
Mito. O aparelho não faz mal se estiver com o filtro limpo. Caso o ar fique muito seco, característica que algumas crianças não toleram, deve-se usar uma forma de umidificar o quarto, mas tendo atenção para não contribuir para o mofo. 

Bombinha faz mal para o coração.
Mito. Prescrita na dose certa, a bombinha trata o broncoespasmo e salva a vida da criança. O que pode acontecer é que ela pode dar uma taquicardia como efeito colateral, que é esperado. Mas a própria crise asmática pode acelerar o coração.

O asmático deve se isolar.
Mito. Ao contrário. O asmático deve se inserir ao meio e manter o ambiente adequado para ele. Atenção apenas para não se expor aos ambientes que contenham fatores que levam o paciente à crise.

Existe grau de gravidade da doença.
Verdade. A asma é classificada como leve, moderada e grave. Existem alguns critérios específicos em literatura que são incluídos na consulta para melhor avalição e escolha do medicamento adequado. Mas um dos critérios é o grau de obstrução ao fluxo de ar.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Arritmia Cardíaca: Fique atento ao ritmo da batida do seu coração

Considerada uma doença silenciosa e, por isso, perigosa, em casos graves as arritmias cardíacas podem levar à morte súbita

Quando o coração demonstra que está “fora do compasso” é sinal de que um cardiologista, ou mesmo um arritmólogo (cardiologista especialista em arritmia), deve ser procurado. Cansaço, palpitações, desmaios e tonturas, confusão mental, pressão baixa e dor no peito podem ser indícios de arritmia cardíaca. Algumas vezes pode não causar sintomas prévios, e a primeira apresentação ser a morte súbita. No Brasil, dados apontam que por ano ocorrem mais de 300 mil casos de morte súbita por doenças cardiovasculares, destes, 250 mil provocados por arritmias cardíacas.



Hipertensão, obesidade, tabagismo, sedentarismo e cardiopatias são os principais fatores de risco do desenvolvimento das arritmias cardíacas. A fibrilação atrial é um tipo de arritmia mais associada ao envelhecimento, acima dos 65 anos – aumentando 20% naqueles com mais de 80 anos. A tendência é que com maior expectativa de vida da população, os casos de arritmia cardíaca aumentem de 5 a 10% no país, nos próximos anos.

- As arritmias cardíacas são alterações elétricas que causam irregularidades no batimento cardíaco, sendo a mais frequente a fibrilação atrial, que pode ser sentida como um tremor no peito. Embora não seja fatal, pode eventualmente levar o indivíduo a ter um AVC (acidente vascular cerebral), além de outras complicações cardíacas. O alerta é que esta arritmia acomete cerca de 30% da população mundial, e pode ser diagnosticada precocemente e tratada, evitando complicações graves e incapacitantes como o AVC – relata Dra. Olga Ferreira de Souza, coordenadora do serviço de arritmia e eletrofisiologia da Rede D'Or São Luiz.

Pessoas idosas estão mais propensas a ter fibrilação atrial do que os jovens, no entanto, este cenário pode ser alterado devido a maus hábitos, como o consumo excessivo de álcool, o uso de drogas e estimulantes. A prática excessiva de exercício físico – sem prévia avaliação médica e acompanhamento profissional – também pode causar a arritmia cardíaca.

- É sempre indicado que as pessoas com mais de 35 anos, com histórico familiar de cardiopatia ou morte súbita, sejam submetidas a consultas regulares com cardiologista, principalmente, porque não são todas as pessoas que possuem fibrilação atrial que apresentam sintomas. Contudo, a prevenção é forte aliada para evitar complicações, sendo orientada a adoção de hábitos de vida saudáveis, como prática de esporte e dieta equilibrada, que iniciados ainda na infância diminui os riscos de problemas cardiovasculares precoces.

Autoexame do pulso – Para a medição dos batimentos cardíacos, a Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas orienta que seja feito o autoexame dos pulsos. A prática consiste em posicionar os dedos indicador e médio sobre a região do antebraço, onde existem impulsões que refletem os batimentos cardíacos. Conta-se o número de impulsões por 15 segundos e multiplica-se o valor por quatro: o resultado é a frequência cardíaca, ou seja, o número de batimentos por minuto (BPM). A normalidade dos batimentos cardíacos é considerada na variação de 60 a 100 batimentos por minuto, considerando as atividades cotidianas. No momento da prática de exercícios físicos, esta variação pode exceder os 100 BPM, e o mesmo ocorre nos períodos de repouso, que pode ficar abaixo de 60 BPM. O importante é observar se o pulso está regular – que é o normal, ou se apresenta falhas e a frequência muito rapidamente – que representa uma arritmia.

Centro de Arritmias Cardíacas – A Rede D’Or São Luiz dispõe de um serviço de excelência especializado no diagnóstico e tratamento das arritmias cardíacas e um centro de avaliação de dispositivos cardíacos eletrônicos implantáveis. Equipe especializada está à disposição para atender os pacientes com Estudo eletrofisiológico, Ablação com rádio frequência ou Crioablação e Dispositivos cardíacos eletrônicos implantáveis.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Truques de vó funcionam?

Pediatra desmistifica dez recomendações que foram cultivados por gerações

A avó é reconhecida por ter muita sabedoria e experiência para compartilhar. Quando o assunto é cuidado com a saúde dos netos, não faltam dicas para recomendar. Sejam medidas de prevenção ou tratamento, sempre há um truque que transpôs o tempo, que foi passado por gerações. Alguns podem ter alguma explicação médica, mas nem todos. Porém, muito além de crendices, algumas dessas artimanhas podem significar riscos à saúde da criança. Para o tratamento de doenças, o indicado é consultar um especialista para que não haja dúvida do que fazer.



Confira, abaixo, as orientações da Dra. Carla Dall Olio, coordenadora da emergência pediátrica do Hospital Barra D’Or, sobre dez dessas técnicas de vó.

Chá de picão para icterícia
Todo bebê ou criança que apresente cor amarelada deve ser levado ao pediatra para avaliação pediátrica o quanto antes. O amarelado da pele ou dos olhos é sempre um sinal de alerta a diversas patologias, como por exemplo as hepatites infecciosas. Não há indicação de banho de imersão ou ingestão de chá de nenhuma erva ou folha.

Fralda com álcool no pescoço contra tosse
O álcool, dependendo de sua concentração, pode lesionar a pele quando em contado direto com a mesma. O álcool usado em compressas no pescoço, ao ser inalado, pode provocar ou piorar uma crise de chiado (broncoespasmo) ou rinite, por ser o produto irritante para as vias aéreas. O mesmo risco oferecem os produtos como bálsamos compostos de menta e cânfora, pois, mesmo que deem uma sensação de desobstrução nasal imediata, ao longo das horas, o efeito pode ser contrário, gerando posterior aumento da produção de muco e também o chiado. O que pode ser aproveitado desta prática é a utilização de compressas feitas com pano molhado em água mais gelada, para auxiliar na redução da febre. As melhores áreas para utilizar compressas frias são as têmporas, axilas e a virilha.

Dar medicamentos antes de dormir para prevenir febres e gripes
Nenhuma medicação deve ser oferecida sem um objetivo terapêutico definido pelo pediatra. Antitérmicos não evitam a evolução da gripe. Além disso, a febre é um sintoma clínico importante para a percepção de uma infecção, pelo seu médico, e mascarar a febre pode só retardar o diagnóstico. O uso excessivo de medicamentos sempre implicará nos riscos de efeitos adversos. Como exemplo, um anti-inflamatório usado sem necessidade pode causar lesão na mucosa gástrica e levar a sangramento gástrico ou até causar uma reação alérgica grave como a anafilaxia com fechamento de glote.  Nenhuma medicação deve ser feita sem orientação médica cautelosa.

Compressa de chá de camomila para peles queimadas pelo sol
A pele queimada pelo sol fica sempre muito sensível. Não se deve aplicar nada sem avaliação do dermatologista ou pediatra, que irá avaliar o grau de queimadura. Aplicar substâncias alimentícias poderá até provocar uma infecção no local sensibilizado. As pessoas têm a impressão de melhora por conta do alívio proporcionado pela diferença de temperatura (pele quente x compressa de chá mais gelada). No entanto, existem medicações de uso tópico e cremes hidratantes próprios para a pele e que não vão levar ao risco de uma infecção secundária e vão auxiliar efetivamente na reparação da pele de forma segura.

Maisena contra assadura e brotoeja
Uma característica do amido de milho presente na maisena é reduzir a umidade da pele. Isso ajuda no incomodo da brotoeja, que é determinada pela presença de suor que obstruiu o folículo. Da mesma forma age o talco. Porém, a questão é a localização da brotoeja ou assadura que pode impossibilitar a aplicação desses produtos, que oferecem risco de serem inalados pela criança, principalmente por bebês, quando as lesões são no pescoço. Portanto, pode aplicar a maisena, mas é preciso cautela. Contra assaduras, o ideal é trocar as fraldas com mais frequência, higienizar o local com água e sabão, e secar de forma efetiva e delicada com uma toalha macia, usando menos os lenços umedecidos. Lembrando que no mercado existem diversos pomadas e soluções emolientes próprias para solucionar esses problemas.
 
Maisena na água do banho para melhorar coceiras na pele
Funciona em crianças que têm dermatite atópica, causando alívio na coceira e o incômodo das dermatites de origem alérgica. Mas também existem produtos próprios para tratar essa patologia, sendo menos usado de rotina.

Medicamentos com funcho para alívio da cólica
Este tipo de medicamento é usado para “ consolar” o bebê do desconforto da dor abdominal. O ato de chupar a chupeta com um produto doce proporciona um alívio momentâneo, mas não é o mais indicado para cólicas. Estas dores devem ser tratadas com analgesia e formulações próprias com lactobacillus. O ideal é discutir com o pediatra o melhor tratamento, para não recorrer a mais uma solução paliativa pouco resolutiva.

Usar agasalho para não resfriar
No frio, é preciso ter cuidado com a diferença de temperatura que oscila ao longo do dia. As roupas quentes são mais para dar conforto do que para proteger de gripes e resfriados.  Essas doenças são compartilhadas através de vírus e bactérias. O ambiente fechado no inverno e com aglomeração de pessoas facilita o contágio por vias aéreas, além das mãos que levam os agentes infeciosos para a boca e o nariz. Se a criança tiver alergia respiratória, ela irá sentir mais o baque da mudança de temperatura, ficando mais vulnerável à rinite, asma e bronquite, por isso, o cuidado para manter a temperatura da casa uniforme é uma boa medida. Um ponto importante é incentivar a lavagem das mãos, especialmente pelos cuidadores dos pequenos.

Mel para expectoração do catarro e tosse
Mito. O conforto é imediato apenas para a via área superior, mas não é terapêutico. Além de não poder ofertar às crianças menores de um ano, pois pode causar botulismo.

Moeda no umbigo para evitar hérnia umbilical
Mito. Não pode colocar moeda, cinteiro, pó de café, teia de aranha ou qualquer outro corpo estranho, principalmente se o umbigo ainda não estiver plenamente cicatrizado. A hérnia umbilical vai se resolver ao longo do crescimento da criança até os dois anos de idade. Procure seu pediatra que irá avaliar o tamanho da hérnia umbilical e se necessária a correção cirúrgica, encaminhará para avaliação do cirurgião pediatra.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Você sabe diferenciar alergia à proteína do leite e intolerância à lactose?

Especialista destaca os principais pontos de atenção e ressalta que aleitamento exclusivo até os seis meses de idade pode evitar o surgimento de alergias e hipersensibilidades alimentares

A princípio, pode ser difícil entender a diferença entre a alergia à proteína do leite de vaca (APLV) e a intolerância à lactose. Antes de tudo, é preciso entender a característica principal que difere as patologias. Na APLV, como o próprio nome diz, o organismo da criança reage contra as proteínas lácteas, especialmente a caseína e a betalactoglobulina. Já a intolerância à lactose decorre da má absorção do açúcar ou carboidrato presente no leite.

- A APLV tem inclinação imunológica e até genética, cujos sinais e sintomas o bebê vai apresentar ao longo da vida, dependendo da forma que for exposto à proteína. Por isso, a importância da amamentação exclusiva até os seis meses da criança. Quanto mais cedo o contato com a proteína do leite, maior a possibilidade de desenvolver a alergia se houver a predisposição – explica Dra. Carla Dall Olio, coordenadora da Emergência Pediátrica do Hospital Barra D’Or.



A faixa etária para o surgimento dos sintomas da alergia ou da intolerância vai depender da introdução dos alimentos derivados do leite, da época do desmame ou do tipo de alimentação da mãe, já que isso influencia na composição do leite materno. Por exemplo, se essa dieta for baseada em produtos lácteos, a sintomatologia pode ser mais precoce. Geralmente, a APLV se apresenta em bebês menores de um ano, e a intolerância à lactose é expressiva a partir dos seis anos, sendo mais evidente na adolescência.

Outra diferença entre os problemas é a apresentação dos sintomas. Os da APLV são mais relacionados à digestão, e podem ser agrupados em dois grupos: gastrointestinais (vômitos, diarreias, refluxo e colites) e cutâneos (dermatite atópica e urticárias), além de pouco ganho de peso e até irritabilidade. Os sinais da intolerância são parecidos com o da alergia, porém mais centralizados na parte intestinal: distensão abdominal, flatulência, desconforto abdominal e, em casos mais graves, vômitos e diarreia.

A restrição alimentar está presente no tratamento de ambas doenças. Na intolerância, é necessário reduzir o consumo de produtos lácteos, além de fazer uso da enzima lactase conforme prescrição médica. Para o cuidado com a APLV, exclui-se rigidamente a proteína do leite de vaca da dieta do bebê, caso ele não esteja mais no aleitamento exclusivo. Se for preciso, o médico pode refazer um teste de consumo da proteína de acordo com a evolução clínica e laboratorial do caso.

- No surgimento dos sintomas da APLV ou a Intolerância a lactose, o ideal é procurar o pediatra ou clínico. Não faça dietas e restrições alimentares sem orientação dos especialistas. O médico irá orientar a procurar os especialistas certos, para o melhor apoio multiprofissional, especialmente da nutricionista, para que o melhor manejo destas restrições alimentares seja aplicado sem causar maiores danos à saúde. Não use aplicativos ou sites, o diagnóstico requer cuidado para não rotular o paciente de forma leviana e danosa – aconselha Dra. Carla Dall Olio.