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segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Anestesia x analgesia no trabalho de parto: conheça as diferenças

O momento do parto é muito especial para a gestante, para o bebê e para toda a família, por isso o mais importante é que ele ocorra de maneira tranquila e confortável. Nesta hora, a dor e os métodos para aliviá-la são aspectos fundamentais a serem considerados. Quando solicitado pela paciente, cabe ao médico anestesiologista trazer alívio da dor no parto normal e no parto cesáreo.

De acordo com o Dr. Arthur de Campos Vieira Abib, anestesiologista do Hospital São Luiz, dois métodos são empregados pelos especialistas: a analgesia e a anestesia. A analgesia consiste em promover o alívio da dor, sem perda de consciência, perda de mobilidade ou perdas sensitivas. Já a anestesia é o bloqueio de todas as vias de sensibilidade e motoras, havendo ausência completa da dor, muitas das vezes acompanhada de perda de consciência e abolição de reflexos motores e sensoriais, dependendo da técnica anestésica utilizada.



“Durante o trabalho de parto normal, normalmente utiliza-se a técnica de duplo bloqueio onde é realizada anestesia combinada peridural e raquidiana. Ocorre alívio da dor sem bloquear a movimentação das pernas e, desta forma, é possível levantar-se e caminhar durante o trabalho de parto”, explica o especialista. No parto cesáreo, a técnica de escolha é a raquianestesia.

A hora ideal para tomar a anestesia em cada tipo de parto depende da avaliação da equipe médica e da dor que a paciente sente durante a evolução. “Entretanto, a simples requisição da paciente já deve ser o gatilho para a analgesia ser indicada, afinal, a meta é o conforto da parturiente neste momento tão especial, sempre com o objetivo da segurança de a mãe e seu bebê receberem alta do hospital com toda a saúde e bem recuperados”, diz.

O parto normal, com a utilização de técnicas adequadas de analgesia espinhal, apresenta várias vantagens para a mãe e para o feto. Além disso, a anestesia diminui a sobrecarga cardiorrespiratória materna, reduz a liberação de hormônios e substâncias ligadas ao estresse e à dor, o que repercute de forma positiva sobre o feto, contribuindo para a manutenção de adequado fluxo sanguíneo útero-placentário. Uma das grandes vantagens da analgesia no trabalho de parto é não apresentar efeitos colaterais sobre a vitalidade e bem-estar fetal.

Apesar de todos os benefícios da analgesia, há algumas contraindicações. Gestantes que apresentem doenças que causem alteração da coagulação do sangue ou portadoras de doenças neurológicas e cardíacas precisam ter uma avaliação rigorosa antes de serem submetida a analgesia para o trabalho de parto.

“Complicações ocasionadas unicamente pela anestesia, hoje, são muito raras na literatura mundial, mas podem ocorrer. Contudo, ter disponíveis equipamentos adequados e uma estrutura hospitalar segura, com retaguarda de médicos de todas as especialidades, equipes de Anestesia e UTI especializadas é imprescindível para tratar uma eventual intercorrência”, acrescenta o profissional.

Há também os métodos não farmacológicos, que são adjuvantes na melhora do processo de dor. Eles incluem massagens corporais, exercícios respiratórios, banhos aquecidos, hidroterapia, exercícios corporais e até mesmo acupuntura. No geral, todos contribuem de para reduzir a sensibilidade da paciente à dor e proporcionar mais conforto.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Parto humanizado: o que é e quais são seus benefícios

O conceito de parto humanizado ainda gera muitas dúvidas. Apesar de ser frequentemente confundido com um tipo de parto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) traz a seguinte definição: “humanizar o parto é um conjunto de condutas e procedimentos que promovem o parto e o nascimento saudáveis, pois respeita o processo natural e evita condutas desnecessárias ou de risco para a mãe e o bebê”.
Assim, deve-se sempre evitar qualquer tipo de procedimento invasivo desnecessário, independente do tipo de parto, seja ele normal, natural ou cesárea. Segundo a Dra. Monica Resende, ginecologista do Hospital e Maternidade São Luiz Itaim, a humanização do parto consiste também na promoção de vínculo familiar, entre mãe, pai e bebê.
Portanto, além de evitar as interferências desnecessárias ou prejudiciais e respeitar as decisões da gestante, várias medidas podem ser adotadas. Entre elas estão a presença do pai na sala de parto, amamentação o mais precoce possível, luz baixa no ambiente e musicoterapia, por exemplo. “Tanto partos vaginais quanto cirúrgicos podem e devem ser humanizados”, explica a especialista.
A Dra. Monica também ressalta outros benefícios desta prática para o bem-estar físico e emocional da mãe e do bebê. De acordo com ela, alguns estudos mostram que a promoção da humanização do parto aumenta de forma significativa o bom prognóstico de evolução do recém-nascido, além de deixá-lo mais seguro e favorecer os laços afetivos entre os membros da família.
“O Hospital e Maternidade São Luiz é uma instituição que preza pela realização do parto humanizado, apoiando e realizando a amamentação precoce na sala de parto, incentivando o contato precoce do pai com o bebê através do uso de slings, cromoterapia e musicoterapia no ambiente do nascimento, e favorecendo o alojamento conjunto”, esclarece a médica.
Para mais informações e preparo para o parto humanizado, é muito importante que a paciente converse com o seu médico durante o pré-natal. Este é o melhor momento para orientações e solucionar dúvidas sobre quais são os melhores caminhos para que esses procedimentos sejam realizados de forma individualizada e especial.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Com altas chances de sucesso, parto normal após cesárea é possível sim!

Taxas de êxito chegam a 80%; complicações não atingem 1% dos casos

Estudos realizados desde a década de 60 têm demonstrado que a frase “uma vez cesárea, sempre cesárea” tem cada vez mais perdido o sentido.

“Submeter-se a um parto normal com cesárea prévia é possível e, mais do que isso, com altas chances de sucesso e segurança.” É assim que o Dr. Wagner Hernandez, ginecologista e obstetra da Maternidade São Luiz Itaim, fala sobre as mulheres que foram submetidas previamente a uma cesariana, que podem tentar passar por um trabalho de parto e terem seus filhos por meio de um parto vaginal.




As taxas de sucesso de partos vaginais após cesarianas podem chegar a 80%, sempre variando de caso a caso, mas nunca menor do que 60%. A complicação mais temida é a de o útero se romper durante o parto, causando grande hemorragia, perda do útero e até óbito da parturiente e do bebê, mas sua incidência não chega a 1%. “De todos os partos normais, os rompimentos de úteros ficam entre 0,4 a 0,7%, mostrando que o procedimento é altamente seguro”, orienta Hernandez.

As vantagens de se escolher o parto normal após ter passado por uma cesárea são as mesmas de se optar por um parto vaginal na primeira gravidez. Os benefícios vão além da melhoria da maturidade dos pulmões do bebê, que ocorre pelo nascimento natural do pequeno. Menor risco de infecção, favorecimento da produção de leite materno e o retorno do útero ao seu tamanho normal mais rapidamente são outros existentes nessa prática, que valem destaque.

Para o bebê, a passagem pelo canal vaginal é importante para tirar todo o líquido que fica dentro do pulmão – que acontece no momento que ele é espremido –, diminuindo as chances de desenvolver complicações respiratórias. Além de possibilitar que o bebê entre em contato com bactérias que ajudam no desenvolvimento imunológico trazendo ainda benefícios para a vida adulta.

Já para a mãe, a não realização de uma cirurgia possibilita que ela esteja precocemente em contato com seu bebê e se reabilite mais rapidamente sem dores, diferente da cirurgia que traz limitações.

Para poder escolher a realização de parto normal após cesárea prévia, a mulher precisa atender a alguns requisitos:

Ter tido apenas uma cicatriz no útero (cesárea tradicional) anterior;
A cesariana anterior ter ocorrido pelo bebê estar sentado ou sem ter atingido dilatação total do colo do útero;
A mulher ter menos de 40 anos;
Entrar em trabalho de parto espontâneo e antes da data prevista;
Estar esperando um bebê com menos de 4000g.

No caso das gestações gemelares após cesárea prévia, o Dr. Wagner Hernandez explica que os riscos são iguais às gestações únicas. “Os grandes prejuízos da cesárea aparecem em grandes proles, provocando alta incidência de placenta prévia ou acretismo placentário, com risco de hemorragia e até perda do útero”, orienta.

Após o parto, o especialista recomenda verificar a parede uterina por meio do exame de toque, para checar se realmente não houve ruptura. “Em todos os casos, o mais importante é ser avaliada por um especialista que levará em consideração seu histórico, buscando sempre encontrar a melhor escolha para a gestante e seu bebê”, orienta Hernandez.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Novembro Branco: mês reforça a importância da prevenção do câncer de pulmão

Especialistas alertam para a ligação entre tabagismo e a doença, e afirmam que, apesar dos avanços, a neoplasia ainda é uma das mais letais que existem

O Brasil tem apresentado importantes avanços no combate ao câncer de pulmão, entretanto, a doença continua sendo uma das principais causas de morte no país. Aproximadamente 90% dos pacientes diagnosticados com a doença são ou já foram tabagistas. Na tentativa de reverter este quadro, o penúltimo mês do ano ganhou uma campanha especial para alertar a população sobre a doença e seus fatores de risco: o Novembro Branco.

Já se sabe que o tabaco pode aumentar em cerca de 30 a 40 vezes o risco de desenvolver o câncer de pulmão ao longo da vida, inclusive em fumantes passivos que têm cerca de 2 a 3 vezes mais chances de ter esse tipo de neoplasia. "A melhor forma de prevenção do câncer de pulmão é não fumar. Caso esse hábito já exista, abandoná-lo o quanto antes é o primeiro passo para evitar não apenas este tipo de tumor, como também os localizados na cavidade oral, na laringe, no esôfago, na bexiga, no pâncreas e no estômago", ressalta Tatiane Montella, oncologista clínica e uma das coordenadoras do projeto Neotórax – Núcleo de Excelência em Oncologia Torácica, do Grupo Oncologia D’Or.



Além do abandono do hábito, outro grande desafio é o diagnóstico precoce da neoplasia, como destaca a Dra. Angela Chindamo, responsável pelo Centro de Pneumologia do Hospital Barra D’Or.

"É comum as pessoas procurarem o pneumologista depois de passarem por vários outros especialistas, o que retarda o diagnóstico. E, para que este seja feito de forma mais assertiva, dispomos de um serviço que compreende o atendimento especializado e exames diagnósticos, como a broncoscopia e a espirometria, para agilizar a identificação de tumores e doenças inflamatórias nos pulmões. A proposta do Centro de Pneumologia é oferecer esta assistência integrada que, em caso de diagnóstico confirmado, possa encaminhar com agilidade para o tratamento com o oncologista”, explica a Dra. Angela Chindamo.

Segundo Tatiane Montella, apesar das constantes campanhas antitabagistas realizadas no Brasil, os números continuam sendo alarmantes. Este ano, a publicação científica The Lancet publicou um estudo realizado com 195 países, entre eles o Brasil, mostrou que o cigarro causa uma em dez mortes no mundo. “Nosso país está entre os dez com maior índice de tabagismo. Porém, é importante ressaltar que houve uma redução de homens fumantes, eles passaram de 29% para 12%, já as mulheres de 19% para 8%”.

Novidades em tratamento

O número de mortes por câncer de pulmão atualmente é maior do que o número de mortes por câncer de mama, próstata e colón juntos. São mais de 28 mil novos casos da doença por ano no Brasil.

A boa notícia é que o tratamento para a doença tem avançado, sendo a imunoterapia um dos mais promissores nos últimos anos. “Diferente das demais terapias, a imunoterapia tem como proposta estimular o próprio organismo a combater o tumor. O sistema imunológico do paciente é a grande arma contra a neoplasia”, explica Tatiane Montella.

Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprovou a terapia como primeira opção terapêutica para pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células – um dos tipos mais comuns da doença. “A aprovação foi um grande avanço, pois há décadas o padrão de tratamento era apenas a quimioterapia”, diz a oncologista.

Neotórax – Núcleo de Excelência em Oncologia Torácica – Acompanhando as evoluções no tratamento do câncer de pulmão, os centros oncológicos têm apostado cada vez mais em unidades especializadas e com assistência integral ao paciente oncológico. É o caso do Neotórax - Núcleo de Excelência em Oncologia Torácica, que oferece um atendimento específico no trato das neoplasias pulmonares com o uso de terapias complementares para o combate à doença. Além de desenvolver pesquisas clínicas para o estudo de novos tratamentos.

O diferencial da unidade é o foco em uma linha de cuidado integral dos pacientes, voltada especificamente para câncer de pulmão. A clínica também dispõe de terapias complementares, como é o caso da Yogaterapia, projeto que conta com o apoio do Instituto Hermógenes, com base no trabalho desenvolvido pelo professor José Hermógenes, criador do instituto. As aulas são ministradas pelo professor Thiago Leão, neto de Hermógenes, e contam com exercícios respiratórios, visualizações, meditação e relaxamentos.


Centro de Pneumologia Barra D'Or – uma unidade especializada em atendimento Pneumológico reunindo todos os critérios necessários para realização de Espirometria e de Broncoscopia diagnóstica e terapêutica, em nível interno ou ambulatorial. Com atendimento de 2ª a 6ª feira, das 8h às 17h, o centro também oferece prova de função respiratória e avaliação da via aérea e troca de cânula de pacientes traqueostomizados em serviços de Home Care. 

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Arritmia Cardíaca: Cerca de 20% da população será afetada nos próximos dez anos

Doença está associada a morte súbita, que no Brasil, estima-se ocorrer mais de 300 mil casos/ano

Quando o coração demonstra que está “fora do compasso” é sinal de que um cardiologista, ou mesmo um arritmólogo (cardiologista especialista em arritmia), deve ser procurado. Cansaço, palpitações, desmaios e tonturas, confusão mental, falta de ar, pressão baixa e dor no peito podem ser indícios de arritmia cardíaca. Algumas vezes pode não causar sintomas prévios, e a primeira apresentação ser a morte súbita. No Brasil, dados apontam que por ano ocorrem mais de 300 mil casos de morte súbita por doenças cardiovasculares, destes, 250 mil provocados por arritmias cardíacas.

A arritmia é uma alteração no ritmo normal do coração que produz frequências cardíacas velozes, lentas e/ou irregulares. Nos batimentos acelerados (mais de 100 por minuto), o problema é chamado de taquicardia. Já nos lentos (menos de 60), de bradicardia. Para identificar a doença é necessário fazer uma série de exames, e a maioria só podem ser realizados em hospitais.



- Observamos que nas emergências hospitalares muitos são os casos de busca por atendimento devido a arritmias cardíacas. Nos hospitais da Rede D’Or São Luiz, isso corresponde a 1% de toda a demanda, o que significa uma média de 33.500 mil pacientes por ano. Estatísticas apontam que nos próximos dez anos uma epidemia de fibrilação atrial, como também é conhecida a arritmia, afetará cerca de 20% da população mundial. Por isso a importância de se descobrir e tratar a arritmia precocemente. O tratamento evita a formação de coágulos, que podem subir ao cérebro e até levar o paciente à morte – explica a Dra. Olga Ferreira de Souza, coordenadora do serviço de arritmia e eletrofisiologia da Rede D'Or São Luiz.

Tratamento – Muitas são as opções de tratamento disponíveis, desde a mais convencional como a ablação por radiofrequência, realizada por cateterismo; o uso de medicações anticoagulantes, que impedem a formação de coágulos; medicamentos que evitam novos surtos e sintomas. Até o tratamento mais inovador, feito por crioablação, procedimento para corrigir o ritmo cardíaco é realizado também via cateterismo cauterizando as veias à temperatura de -50 C°. Esse novo tratamento é mais simples e rápido, além de ter uma menor taxa de complicações.

Há, também, como opção de tratamento para todas as arritmias, a colocação de um marca-passo, indicado, na maioria das vezes para tratar as bradicardias, mas há tipos especiais recomendados para prevenir morte súbita e para o tratamento da insuficiência cardíaca. O dispositivo é responsável por manter uma cadência cardíaca adequada às pessoas portadoras de arritmias, grupo de condições em que o batimento cardíaco é irregular, sendo demasiado rápido ou lento. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), cerca de 350 mil pessoas são portadoras de marcapasso no Brasil e, a cada ano, 39 mil dispositivos são implantados em novos pacientes.

É importante destacar que a escolha do tratamento é sempre feita pelos médicos arritmologista e cardiologista.

Fatores de risco – Hipertensão, obesidade, tabagismo, sedentarismo e cardiopatias são os principais fatores de risco do desenvolvimento das arritmias cardíacas. A fibrilação atrial é um tipo de arritmia mais associada ao envelhecimento, acima dos 65 anos – aumentando 20% naqueles com mais de 80 anos. A tendência é que com maior expectativa de vida da população, os casos de arritmia cardíaca aumentem de 5 a 10% no país, nos próximos anos.

No entanto, este cenário pode ser alterado devido a maus hábitos, como o consumo excessivo de álcool, o uso de drogas e estimulantes. A prática excessiva de exercício físico – sem prévia avaliação médica e acompanhamento profissional – também pode causar a arritmia cardíaca.

- É sempre indicado que as pessoas com mais de 35 anos, com histórico familiar de cardiopatia ou morte súbita, sejam submetidas a consultas regulares com cardiologista, principalmente, porque não são todas as pessoas que possuem fibrilação atrial que apresentam sintomas. Contudo, a prevenção é forte aliada para evitar complicações – destaca a especialista.


Centro de Arritmias Cardíacas – A Rede D’Or São Luiz dispõe de um serviço de excelência especializado no diagnóstico e tratamento das arritmias cardíacas e um centro de avaliação de dispositivos cardíacos eletrônicos implantáveis. Equipe especializada está à disposição para atender os pacientes com Estudo eletrofisiológico, Ablação com rádio frequência ou Crioablação e Dispositivos cardíacos eletrônicos implantáveis.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Envelhecimento, sedentarismo e má postura agravam dores na coluna

Episódios de dores das costas são muito comuns na população. Em geral, eles estão relacionados à má postura, ao uso indevido da coluna (como movimentos repetitivos e sobrecarga mecânica) e ao envelhecimento. Os desconfortos também podem esconder outros problemas, que podem ser agravados se não houver correção das posturas incorretas.

Segundo o Dr. Marco Prist, neurocirurgião do Hospital e Maternidade São Luiz Anália Franco, os processos mais comuns com o envelhecimento da coluna são as doenças chamadas degenerativas, como bicos de papagaio, hérnias discais e estreitamentos dos locais por onde passam os nervos da coluna vertebral. Porém, os maus hábitos favorecem o aparecimento destas enfermidades mais cedo.



“Hoje, o sedentarismo, o hábito de ficar mais tempo sentado ao computador e a utilização excessiva de tablets e celulares estão agravando o mau uso da coluna e aumentando o aparecimento de problemas e dores cervicais, além dos desconfortos lombares por falta de atividade muscular compensatória da coluna lombar”, explica o especialista.

Exercícios físicos podem ser grandes aliados na correção da postura e na melhora dos quadros de dor, mas apenas se forem feitos de forma correta. Por isso, é necessário ter atenção e acompanhamento profissional. De acordo com o médico, todo exercício com impacto para a coluna, principalmente a lombar, pode ser prejudicial se feito sem acompanhamento e regra. Os mais indicados são alongamento, musculação e pilates.

“Os exercícios orientados e a fisioterapia reabilitadora podem fazer com que os sintomas dolorosos melhorem e o paciente fique bem sem necessidade de outros procedimentos, por melhora da condição muscular e das articulações da coluna. O paciente deve sempre fazer exercícios como alongamento, pilates, e evitar esforços com sobrecarga e impacto para se manter bem”, diz o Dr. Marco.

É importante ressaltar que os problemas posturais também melhoram com RPG (reabilitação postural global), que educa o paciente ao uso de seu corpo em condições mais anatômicas, preservando a coluna e melhorando o estresse mecânico das posturas viciosas e das sobrecargas do uso. Eventualmente, em doenças como a escoliose, há necessidade de correção cirúrgica.

O especialista ainda alerta para o risco da automedicação: “O uso indiscriminados de remédios para dor pode levar a dependência desses medicamentos, bem como a perda da sua eficácia e efeitos colaterais sobre outros órgãos. As medicações devem ser usadas com parcimônia e sempre com acompanhamento”.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Apenas 50% dos idosos que são vítimas de fratura no fêmur retomam suas atividades


Especialista destaca que agilidade no atendimento, procedimento cirúrgico precoce e equipe multiprofissional qualificada são determinantes para a redução de complicações

As estatísticas causam preocupação quando se trata de queda e traumas relacionados ao idoso. Principalmente se associada a fratura. A literatura médica relata que até 50% dos idosos com fratura de fêmur vão a óbito nos dois anos seguintes e apenas 50%, ou seja, metade dos que sobrevivem, retomam suas atividades sem nenhum prejuízo ou queda de função. Estes dados são analisados por especialistas na tentativa de melhorar os índices e promover uma melhor resposta dos pacientes ao tratamento implementado.

Entendendo a gravidade do quadro e a prevalência cada vez maior, haja visto o envelhecimento populacional, o Hospital Copa D’Or implementou, de forma gradual e consistente, o sistema multiprofissional de atendimento ao trauma ortopédico do idoso. O serviço integra diferentes profissionais preparados para o atendimento deste paciente de forma que, em um curto espaço de tempo, consegue-se o pronto reestabelecimento do doente, com retorno ao ambiente familiar de forma precoce e segura.



- O sistema de atendimento ao trauma do idoso do Hospital Copa D’Or conseguiu reduzir as taxas de hemotransfusões (infusão de sangue antes, durante ou após o procedimento cirúrgico), a quase zero. O paciente muitas vezes tem alta hospitalar em 72 horas após o trauma inicial, retornando com segurança para seu domicílio e já tendo iniciado o programa de reabilitação no ambiente hospitalar. O último levantamento do serviço demonstra resultados muito animadores, com mais de 75% dos pacientes operados recuperando os níveis de atividade e independência que possuíam previamente ao acidente. Além disso, a taxa de óbito relacionado a fratura reduziu significativamente, sendo inferior a preconizada pela literatura mundial, permanecendo em semestres subsequentes igual a zero – destaca o cirurgião ortopedista do Hospital Copa D’Or, Dr. Daniel Ramallo.

O sucesso desta abordagem é a atuação conjunta e especializada de diversos profissionais que entendem a singularidade da doença. A otimização do tempo e a abordagem cirúrgica por técnica minimamente invasiva pela equipe de cirurgiões ortopedistas mudaram o prognóstico da doença, fazendo toda a diferença, inclusive podendo significar a vida ou não do paciente.

Por que os idosos são mais propensos a fratura de fêmur? – A lesão desta região tem relação direta com fragilidade do organismo e osteoporose, uma vez que quedas e traumas simples na terceira idade podem gerar a ruptura deste osso. O fêmur é um dos ossos mais importantes do corpo, pois conecta a bacia ao joelho, permitindo movimentos simples, porém da maior importância ao desenvolvimento e vida humana. Alguns exemplos em que ele necessariamente é utilizado são: caminhas, correr, subir e descer escadas, e sentar. Uma vez quebrado, o paciente pode ter limitações e, na maioria das vezes, permanecer acamado.

O paciente acamado e deitado, tem suas funções vitais comprometidas, com atrofia e perda da massa muscular, inclusive, a responsável pela respiração. A motilidade intestinal débil faz com que o paciente permaneça constipado e, desta forma, causa a perda progressiva da capacidade respiratória, dos movimentos, da função gastrointestinal, levando o paciente a um estado limítrofe de vida. Além disso, a pele mais fina se rompe e forma escaras cutâneas (grandes machucados que podem infectar com germes altamente virulentos). A higiene precária em um paciente acamado e com dor e a dificuldade de movimentar o corpo faz com que seja um paciente altamente colonizado por bactérias infectantes.

- O lúdico e a parte cognitiva também podem ser afetados e o paciente pode perder noção de espaço e localização. Alteração comportamental como agressividade e agitação podem advir em conjunto, abrindo um quadro de delirium. Estes fatores em conjunto são devastadores para o idoso, que se não for bem conduzidos, podem culminar, em uma última instância, em óbito – ressalta o especialista, reforçando a importância do atendimento de qualidade ao paciente.

Diferenciais no atendimento de traumatologia do idoso – O sistema de tratamento do trauma do idoso no Hospital Copa D’Or acolhe o paciente desde a sua entrada na emergência, com atendimento imediato do ortopedista que aciona o cirurgião ortopedista especialista em cirurgia do trauma (especialidade que trata as fraturas complexas dos ossos). A clínica médica imediatamente solicita todos os exames específicos, ainda na emergência, sendo o paciente revisto e operado em menos de 12 – 24 horas da sua admissão, seguindo os mais rigorosos protocolos de segurança do paciente. O pós operatório inicial é feito em unidade própria para este perfil de doente, com equipe especializada, liberando muitas vezes para o quarto em menos de 12 horas. A fisioterapia motora e respiratória está todo tempo atuante e inicia já nas primeiras horas após o procedimento cirúrgico.

A cirurgia é realizada por equipe especializada, com técnica minimamente invasiva e com mínima dose anestésica. Esse sistema integrado e multiprofissional, permite que no dia seguinte ao procedimento, o fisioterapeuta coloque o idoso de pé e o trabalho para recuperação funcional é otimizado ainda dentro do âmbito hospitalar.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Filhos de pais obesos têm de 50 a 100% de chance de desenvolver a doença

Avaliação clínica multiespecialidades é aliada no combate ao excesso de peso e as doenças associadas

A obesidade está ligada principalmente à influência genética, ou seja, filhos que tenham os dois pais ou um deles obeso têm de 50 a 100% de chance de desenvolver o problema. Já para aqueles que não têm histórico familiar a possibilidade é de 25% – menor, mas não nula. Em todos os casos, os hábitos de vida adquiridos desde a infância têm total interferência na balança, seja na fase adulta ou, ainda, infantil. Logo, a melhor medida contra a obesidade é a prevenção.

- Prevenir é muito mais eficaz e mais fácil. Manter-se no peso ideal é mais prático do que ter que perder os quilos excedentes e lutar para continuar dentro da forma física. O trabalho é longo e mais difícil no sentido de emagrecimento e manutenção – explica a Dra. Cristiane Carius, médica especialista em suporte nutricional do Hospital Quinta D’Or.



Ainda segundo a especialista, o cuidado deve iniciar na infância. Para isso, há dois caminhos importantes a seguir: o primeiro é o exemplo dos pais juntamente com uma educação alimentar. Ter uma família que come de forma equilibrada e variada, e ensinar sobre a importância da alimentação adequada ajudam as crianças a definirem seus paladares corretamente; a outra forma é através do estímulo às atividades físicas. Os pequenos têm tendência a gostar de esportes e, quanto mais cedo são inseridos nesse meio, mais fácil irão se adaptar e estender para a vida adulta.

Para quem já está acima do peso ou que tem predisposição genética, as orientações são para que busque acompanhamento e avaliação médica, pois a obesidade pode estar associada com outras doenças, principalmente as hormonais.

- As doenças que envolvem a obesidade são divididas em dois grupos: as que são associadas às causas, e as que são consequências, ou seja, que se desenvolvem por causa do excesso de peso. No primeiro grupo, o hipotireoidismo é mais comum. No segundo, estão diabetes, hipertensão, esteatose hepática e colesterol alto. Mas do que a estética, essas patologias podem colocar em risco a vida do paciente obeso – alerta Dr. Leonardo Grossi, endocrinologista do Hospital Quinta D’Or.

O acompanhamento de uma equipe médica multidisciplinar – que pode ser composta por nutricionista, endocrinologista, cardiologista, psicólogo e cirurgião bariátrico – é indicado tanto para quem encontra-se dentro do peso adequado, mas tem predisposição genética, quanto para quem já desenvolveu a doença. Através deste apoio, é possível prevenir, diagnosticar as causas do sobrepeso e receber orientação quanto ao melhor caminho para tratar o problema, antes que a cirurgia bariátrica seja a única forma resolutiva.

A cirurgia bariátrica não é o fim da linha de chegada – No entanto, mesmo aqueles que passaram pela bariátrica precisam continuar o tratamento com outros profissionais, que darão suporte nutricional e psicológico após a cirurgia, principalmente se alguns dos estopins da doença forem compulsão alimentar ou depressão.

Há todo um processo de avaliação e preparo clínico que antecede a cirurgia, e o paciente com obesidade precisa ser acompanhado por uma equipe multidisciplinar. Durante este período, os especialistas submetem o paciente aos exames complementares, como de sangue específico, Doppler dos membros inferiores, eletrocardiograma, endoscopia, ultrassom e prova de função respiratória. Além de receber orientações para tentar reduzir o excesso de peso de forma gradual, com boa alimentação e atividades físicas. Porém, se, ao passar por este processo, for percebido que não houve alteração nas taxas de IMC, tendo este se estabilizado acima dos 35 e associado com outras patologias, ou IMC acima de 40, os profissionais indicam a cirurgia bariátrica.

- O sucesso da cirurgia se dá com perda de 20% do peso inicial. Mas para manter o progresso, o paciente tem que ter consciência de que precisa permanecer acompanhado por multiprofissionais por mais cinco anos, até receber alta. Hoje, a gente sabe que apenas 35% dos pacientes conseguem o objetivo final. As pessoas acham que cirurgia é o fim do tratamento, mas não é. Existe todo um trabalho de outros profissionais antes, durante e após ela – aconselha Dr. Guilherme Cotta, cirurgião bariátrico do Hospital Quinta D’Or.

Benefícios da Cirurgia Robótica – A técnica, minimamente invasiva, também está presente na realização de cirurgias bariátricas. O procedimento disponível no Hospital Quinta D’Or, e também no CopaStar, gera vantagens aos pacientes, como redução do tempo de hospitalização; recuperação e retorno mais rápido às atividades normais; redução de dor e complicações no período pós-operatório; cortes menores e menor sangramento; menor risco de infecção hospitalar; redução na dose de medicamentos no pós-operatório.


Segurança para o paciente – Os hospitais da Rede D’Or São Luiz estão credenciados para operacionalizar a plataforma Da Vinci Surgery, e todo o procedimento é muito seguro. O braço do robô é o responsável por manipular as pinças introduzidas no paciente para a cirurgia – com total precisão, sendo importante salientar que todos os comandos são definidos e controlados em tempo real por médicos altamente treinados para a realização da cirurgia robótica. Na prática, um cirurgião comanda o equipamento – através de um joystick, tendo acesso a uma visão mais abrangente do que nas cirurgias convencionais. O cirurgião executa os movimentos no equipamento, que são replicados pelo robô, dento do paciente, durante a cirurgia. Um cirurgião assistente fica próximo à mesa cirúrgica, com outros especialistas, para dar o suporte necessário ao procedimento.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Outubro Rosa chama atenção para o câncer de mama

Especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce da doença

O câncer de mama é o mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil. Dados divulgados pelo Instituto Nacional do Câncer – Inca indicaram que, em 2016, aproximadamente 58 mil novos casos foram diagnosticados no país. O mês de outubro é marcado por ações de conscientização sobre a importância de exames preventivos e do diagnóstico precoce pelo Outubro Rosa. Em apoio à campanha, especialistas compartilham informações sobre o diagnóstico e tratamento da doença, contribuindo dessa forma para a redução da mortalidade.



A coordenadora do Centro de Mama do Hospital Quinta D’Or, Ellyete Canella, especialista em Radiologia Mamária, destaca que, descobrir o câncer de mama no estágio inicial aumenta a chance de sobrevida e permite tratamento conservador (com preservação da mama). Este alerta indica que a realização de exames de alta tecnologia, como a tomossíntese – também conhecido como mamografia digital 3D, é capaz de detectar tumores pequenos (menores que 10 milímetros), não palpáveis, ou seja, impossíveis de serem identificados no autoexame.





Segundo Gilberto Amorim, oncologista clínico e coordenador de oncologia mamária do Grupo Oncologia D’Or, o diagnóstico tardio da doença é o principal fator de morte da mulher brasileira – 27% descobrem este tipo de câncer em estágio já avançado.

O oncologista clínico do Grupo Oncologia D’Or faz um alerta para mulheres com menos de 45 anos e que tenham grande histórico familiar de câncer. “A busca por um oncogeneticista para um aconselhamento genético é indicado, pois permite detectar mutações e marcadores genéticos associados à predisposição de desenvolver a doença. Trata-se de uma análise de risco. A oncogenética realiza esse mapeamento para uma profunda identificação na árvore genealógica do paciente”, explica Gilberto Amorim.

A união entre atividade física e alimentação saudável também é uma importante aliada na prevenção do câncer de mama.

Principais sintomas da doença

Gilberto Amorim ainda cita alguns sinais que podem ajudar a reconhecer se há algo de errado nos seios. “O aparecimento de nódulos duros palpáveis, com ou sem dor mamária, e que permanecem por vários dias; mudança no aspecto do mamilo; alterações na pele da mama, como abaulamentos, retrações ou aspecto ‘casca de laranja’; secreção escura ou sangue; e mudanças na cor ou textura da pele são alguns dos destaques”, explica. Entretanto, ele faz uma ressalva: “Nem sempre são sinais definitivos de câncer”, diz.




Sobre o tratamento

O tratamento vai depender do tamanho do tumor na época do diagnóstico. Tumores pequenos (menores que 2 cm) geralmente são tratados com cirurgia conservadora da mama. Tumores grandes (maiores que 5 cm) geralmente são tratados por quimioterapia e depois por cirurgia. “Hoje sabe-se que o câncer de mama é uma doença com vários perfis, então o tratamento é muito individualizado. A doença benigna também tem várias expressões, as mais comuns são os fibroadenomas (tumor sólido benigno) e os cistos (nódulos com líquido). Algumas lesões são caracteristicamente benignas, mas a maioria necessita de uma biópsia para a diferenciação, pois ambas as doenças (benigna e maligna) podem ter a mesma expressão clínica e/ou radiológica”, explica a radiologista Ellyete Canella.


Serviços especializados – O Centro de Diagnóstico de Mama do Hospital Quinta D’Or é um serviço de alta relevância nesta linha de cuidados, permitindo a realização de mamografia digital com tomossíntese, ultrassonografia mamária, procedimentos invasivos (biopsias guiadas, percutâneas e cirúrgicas), além da ressonância magnética para elucidação diagnóstica nas patologias mamárias. Saiba mais no site: http://quintador.com.br/Centro_de_Mama,d,2916.aspx

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Proteção de dose em dose: vacinas oferecem ganhos individuais e coletivos

Movimentos antivacinação colocam em risco o surgimento de doenças já erradicadas

Desde da implantação do Programa Nacional de Imunizações (PNI), há 40 anos, o Brasil se mostrou como um dos países com maior efetividade de combate e controle de doenças contagiosas, como sarampo e poliomielite, que está erradicada no país há mais de 20 anos.

Hoje, o calendário nacional obrigatório de vacinação pode proteger, em média, contra 18 tipos de doenças, como meningite, HPV e doenças pneumocócicas. Em contrapartida, o crescimento de movimentos antivacina ameaça os resultados conquistados nos últimos anos pelas campanhas de imunização, e podem contribuir no retorno de doenças que foram erradicadas ou que já estão controladas no Brasil e no mundo.



Para ajudar pais e responsáveis pelas crianças, a Dra. Renata Coutinho, infectologista do Hospital Rios D’Or, esclarece dúvidas sobre vacinação, reforçando a importância de manter o calendário vacinal atualizado.

Por que é importante manter a vacinação infantil em dia?

A vacinação é um dos melhores métodos para prevenir as principais doenças infectocontagiosas da infância. E, além de ter benefício individual, existe um grande benefício coletivo, pois diminui a circulação dessas doenças na população em que essas crianças convivem. Tem também outros ganhos, como menor taxa de hospitalização, de óbito, de sequelas, de abstinência no trabalho, porque todas essas doenças acabam afetando, inclusive, a vida econômica dos pais e atividade profissional. Sendo assim, os ganhos acontecem em várias áreas, não só na saúde individual.

As vacinas são 100% seguras?

As vacinas têm seus riscos e benefícios, e, neste caso, recomenda-se a comparação entre os riscos da doença e os riscos da vacina. Exemplo, a febre amarela: o risco de ter um evento grave pela vacina é de 1 em 1 milhão de doses; e o risco de ter febre amarela selvagem grave é 10 em 100 casos – e mortalidade é muito alta. Matematicamente, é incomparável o risco da doença selvagem e o risco da vacina. Assim, a vacina tem indicação e em caso de dúvidas, deve-se consultar o médico.

Ultimamente, vem crescendo um movimento antivacina, liderado por pais que acreditam que são agressivas à saúde e podem desencadear reações adversas. Tem fundamento o motivo desta relutância?

A vacina é um produto médico imunobiológico dos mais seguros que existem por vários motivos. O principal deles é que ela é usada em larga escala. Em todos os programas de vacinação no mundo, o ideal é que se vacine 100% da população alvo. Então, exige-se um tempo bem extenso de estudo para introduzi-la no mercado. Inclusive, um estudo sobre sua funcionalidade. É preciso que esse produto seja de alta segurança, e, realmente, é.

Quais as consequências de não imunizar as crianças?

A principal e mais preocupante é o ressurgimento de doenças erradicadas e aumento da incidência de doenças.

As reações das vacinas são menos prejudiciais se comparadas aos efeitos da doença em uma criança não imunizada?

Seguramente. E os pais/responsáveis têm que compreender que algumas doenças são graves e inerentes as condições clínicas das crianças. Ou seja, este é um contra-argumento para aqueles que acreditam que crianças saudáveis e bem nutridas estariam imunes de doenças, não precisando ser vacinadas. O ideal é que esta concepção seja aceita por todos, pois, por exemplo, a pneumococcemia pode matar qualquer criança, inclusive as saudáveis. A gente já passou por experiencia de mães que tinham essa filosofia e mudaram de ideia uma vez que os filhos estavam na UTI com doenças que seriam imunopreviníveis, ou seja, que poderiam ser evitadas com a vacinação.

Existe algum fator que impeça a criança de tomar vacina?

Dependendo da vacina, sim. Por exemplo, não devem ser vacinadas crianças que têm comorbidade específica, imunodeficiência, portadora de HIV, transplantado de medula, doença renal crônica e transplantado de órgão sólido. Apesar de ser um procedimento seguro, sempre se coloca na balança riscos e os benefícios. Se o risco da vacina for maior que os benefícios, ela é suspensa, pela segurança do paciente. O médico que acompanha a criança deve ser sempre consultado para uma orientação mais específica e segura.

Para quais reações deve-se ligar o alerta de que algo deu errado?

Placas ou pintas no corpo até 24 horas depois a vacinação, convulsão com ou sem febre e alguma dificuldade motora. A criança deve ser encaminhada ao serviço de emergência e/ou ao médico pediatra.

Qual o melhor período do dia para vacinar as crianças?

Do ponto de vista prático, o ideal seria pela manhã, pois, assim, teria o dia inteiro para observar. De noite, todos estão dormindo. Mas não é um procedimento que exija o acompanhamento dos pais o dia todo, pois, geralmente, as crianças ficam bem.

Criança doente pode tomar vacina?

A contraindicação para vacinar são doenças febris agudas graves. Mas, em caso de dúvida, indica-se buscar orientação do pediatra.

Pode tomar mais de uma vacina em um dia?

As que são programadas para serem juntas no calendário não têm interferência de resposta vacinal. Mas, existem outras com indicação de intervalo mínimo de aplicação, exemplo da tríplice viral e febre amarela. Isso tudo é respeitado pelo esquema de vacinação pública, que tenta ao máximo simplificar as vacinações, diminuindo as chances de falha de cobertura e o número de visitas dessa criança nos postos.


terça-feira, 10 de outubro de 2017

Sucesso de transplantes de fígado está relacionado diretamente com experiência da equipe de assistência e qualidade do centro transplantador


Procedimentos realizados no Hospital Quinta D’Or alcançam a marca de 95% bem-sucedidos

“Tão importante quanto o transplante, é o sucesso dele”. A afirmação é do coordenador do serviço de transplante hepático do Hospital Quinta D’Or, Dr. Lucio Pacheco, que é incansável quando o assunto é salvar vidas. Com sua equipe, alcança a marca de 95% de transplantes de fígado bem-sucedidos, considerando casos de alta complexidade. E este dado se torna ainda mais relevante quando se observa que muitos dos pacientes com doença do fígado morrem antes de conseguirem o transplante.

- A espera pelo transplante de fígado pode ser um processo longo para muitos pacientes, que têm que se submeter a tratamentos conservadores e sofrem impactos relevantes em sua qualidade de vida. O que observamos é que há uma fila relevante para o transplante no Brasil, mas ela se dá mais pela falta de doadores do que pela estrutura instalada para a realização. A realidade é que muitos pacientes morrem antes de conseguir o doador – destaca o especialista.


A condição mais frequente, em adultos, que leva ao transplante de fígado é a cirrose hepática. Além disso, o tumor primário de fígado é outra indicação frequente de transplante de fígado. Em crianças, a principal indicação é uma doença congênita, chamada Atresia de Vias Biliares. No entanto, ainda é um grande obstáculo a negativa familiar, hoje, cerca de 47% não autorizam. É preciso que todos tenham consciência de que os órgãos de um familiar falecido podem contribuir diminuindo a dor de tantas outras famílias.

- Temos conhecimento de que ainda há receio quanto ao que é morte encefálica. É preciso que todos tenham ciência de que há protocolos muito bem estabelecidos para confirmação da morte encefálica e que morte encefálica é irreversível. É este o diagnóstico que viabiliza a doação dos órgãos. A doação de órgãos é um assunto deve ser comentado constantemente. O ideal é que as famílias falem sobre isso antes do óbito, pois em muitos casos é um assunto deliciado para ser tratado. Estimulamos que o tema seja exposto em reuniões de família, já que cabe a ela a decisão final quanto a doação ou não dos órgãos – complementa o Dr. Lucio Pacheco.

Como escolher um hospital para realizar um transplante de fígado? – No Brasil, o transplante hepático só pode ser feito por uma equipe e um hospital credenciado pelo Sistema Nacional de Transplantes para realizar este procedimento. O resultado destes centros não é divulgado, como é feito nos Estados Unidos. A escolha do centro de transplante é um fator muito importante para o sucesso do procedimento, principalmente para pacientes com doença mais avançada, isto é, com alto grau de gravidade. 

- O que observamos é que com uma equipe especializada e coesa o potencial de sucesso cirúrgico e de sobrevida a longo prazo aumenta. Além disso, uma equipe multidisciplinar experiente em um hospital bem equipado possibilita que o paciente tenha um diagnóstico mais ágil e a definição de conduta mais correta com o menor tempo possível – explica o coordenador do serviço de transplante hepático do Hospital Quinta D’Or, Dr. Lucio Pacheco.

Cerca de 95% dos procedimentos de transplante de fígado realizados em pacientes graves, no Hospital Quinta D’Or, são considerados bem-sucedidos. Isso ocorre, pois a equipe de assistência, desde diagnóstico ao pós-transplante atua de forma integrada, na discussão do caso, identificação do diagnóstico e da conduta. Conta com parque de imagem completo (tomografia computadorizada, ressonância magnética, ultrassom e serviço de endoscopia estruturado). Outra questão relevante é a composição da equipe, com hepatologista, cirurgiões, radiologia diagnóstica, radiologia intervencionista, oncologia e endoscopia.

Além disso, o Quinta D’Or dispõe de uma Unidade de Tratamento Intensivo especializada na doença hepática, o que potencializa a assistência ao doente hepático em casos graves, tendo indicação ou não do transplante.

Transplante Intervivos – O transplante de fígado intervivos é uma prática possível e condiz na retirada de parte do órgão de pessoas sadias para doação ao paciente com doença no fígado. Inicialmente, era uma opção voltada para crianças, pois a cirurgia no doador é um pouco menor. Atualmente, também é feito transplante intervivos de fígado em adultos. A compatibilidade principal é o tipo sanguíneo ABO, seguida por avaliação de peso e altura do paciente e do doador. Outros pontos também são considerados como o tamanho do fígado a ser doado e a estrutura anatômica do doador e receptor, como veias, artérias e vias biliares.


O doador não precisa ser membro da família, mas é necessário que seja uma ação voluntária, respeitando os critérios éticos. A lei brasileira diz que parentes até 4º grau e conjugues podem doar sem autorização judicial.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Exercícios físicos também auxiliam no combate ao mal de Alzheimer

A prática ainda contribui para que seja retardado o desenvolvimento da doença

A saúde da mente está mais ligada às atividades físicas do que se imagina. Estudos da neurociência já comprovaram que a prática de exercícios físicos é capaz de diminuir o risco de desenvolver diversas doenças, não apenas as cardíacas como se imaginava recentemente. O mal de Alzheimer é uma delas. Atos simples como subir escadas e caminhar podem reduzir os riscos de desenvolvimento da doença, que, atualmente, afeta 1,2 milhões de brasileiros.



- Além da prevenção, a prática de exercícios físicos também pode minimizar os sintomas do Alzheimer, melhorando a ‘comunicação’ entre as áreas cerebrais afetadas pela doença. O exercício aumenta tanto a expressão gênica quanto a proteína do BDNF, substância que favorece a formação dos neurônios – explica Dr. Paulo Mattos, médico e pesquisador do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR).

Atividades aeróbicas também contribuem para uma melhor irrigação sanguínea do cérebro, mais um fator que pode contribuir para a diminuição do risco do surgimento da demência. Curiosamente, a atividade física parece ter mais influência positiva no envelhecimento cerebral e na prevenção das demências do que a manutenção de atividade intelectual pós-aposentadoria, algo que sempre foi muito repetido.

Associado à velhice, o mal de Alzheimer ocorre em aproximadamente 60% dos casos de demência entre pessoas acima dos 60 anos de idade. Com o aumento da expectativa de vida da população mundial, a projeção é que haja cada vez mais idosos e, consequentemente, mais demência.

- É importante que o olhar e o cuidado estejam direcionados não só para o paciente com Alzheimer como também para a família que, sobretudo no fim da doença fica muito sobrecarregada. Como não há cura, é preciso que alternativas sejam inseridas na rotina para que o dia a dia se torne menos desgastante. A atividade física se torna uma aliada também na promoção do bem-estar e contribui para que o paciente permaneça ativo, mesmo que através das tarefas diárias – pontua a psicóloga Mariana Guedes, que coordena o Grupo de Apoio a familiares de pessoas com Alzheimer do Hospital Rios D’Or.

Clínica da memória – O Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) mantém no Rio de Janeiro o serviço “Memory Clinic”, primeiro do estado a oferecer os diversos exames necessários para o diagnóstico de demência. Com o intuito de justamente avaliar indivíduos com queixas de memória, o serviço utiliza os protocolos mais modernos de investigação, como avaliação clinico-neurológica, neuroimagem e neuropsicologia, além do exame de líquor.

- Pelo fato do IDOR ser um centro de pesquisa, muitas investigações precisam esclarecer aspectos importantes sobre demência. Por exemplo, quais fatores determinam se o estágio intermediário, o Comprometimento Cognitivo Leve, irá progredir para demência ou não – finaliza o Paulo Mattos.

Grupo de apoio a familiares de pessoas com Alzheimer – Há sete anos profissionais de diversas especialidades se reúnem e promovem no Hospital Rios D’Or um encontro gratuito, mensal, com familiares e cuidadores de pessoas com Alzheimer. A iniciativa busca colaborar com a melhoria da qualidade de vida de pacientes.

- A família da pessoa com Alzheimer fica ciente do caminho que terá que percorrer, mas cabe a ela a forma com que fará isso. As que buscam se amparar, além da assistência especializada e multiprofissional ao paciente, com condutas de amor e humor, administram as fases com mais tranquilidade, gerando benefícios para todos. É este o estímulo que recebem no Grupo de apoio do Hospital Rios D’Or – complementa a psicóloga.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Gordura abdominal e ausência de atividades físicas contribuem para a síndrome metabólica

Tratamento pode abranger desde a mudança de hábitos de vida até a cirurgia metabólica

Aquele excesso de gordura abdominal pode representar algo além de alguns dígitos a mais na balança. Pode ser sinal de uma síndrome metabólica, que tem como base a resistência do corpo à insulina. Este distúrbio hormonal contribui para o desenvolvimento do diabetes tipo 2, da pressão alta, obesidade e a elevação das taxas de triglicérides, glicemia e colesterol. Todas essas doenças juntas cooperam para o surgimento de problemas cardiovasculares, o AVC e o infarto. Porém, a redução do peso corporal através de atividades físicas, tratamento medicamentoso ou cirurgia metabólica representam o controle, ou até, a cura da doença.

As causas da síndrome metabólica estão associadas à ausência de hábitos saudáveis, como alimentação e atividade física. Um alerta é que além de adultos, as crianças têm desenvolvido a doença cada vez mais cedo.



- Os hábitos dos pais refletem na vida dos filhos. Se eles não buscam uma rotina saudável, logo, as crianças não têm bom exemplo. Além disso, o excesso de uso de tecnologias, como tablet, televisão e celulares, têm contribuído para que as crianças se movimentem cada vez menos.  Isto, juntamente com o fácil acesso aos fast food, coopera para o ganho de peso e o desenvolvimento da síndrome metabólica – pontua a Dra. Monique Lima, endocrinologista do Hospital Rios D’Or.

A falta de uma rotina saudável também é a responsável pelo crescimento dos casos da doença ao longo dos anos, pois a correria diária e a ansiedade têm feito as pessoas consumirem alimentos processados, cheios de calorias, ricos em gorduras saturadas e carboidratos simples, e que, cada vez mais, têm tido menos tempo para se exercitarem. Além disso, a predisposição genética também coopera para o distúrbio, principalmente, àqueles com histórico familiar de diabetes.

Diagnóstico

A síndrome metabólica é diagnosticada através da avaliação física pelo médico - que vai verificar a pressão arterial e a gordura visceral, principalmente a localizada no abdomen, e dos exames hormonais e de sangue - que mostra as alterações nas taxas de colesterol, triglicérides e glicemia. A desregulação desses índices somados à obesidade significam risco à saúde, pois estão ligados ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares - como AVC e infarto - aos casos de infertilidade feminina decorrente da resistência do corpo à insulina, às complicações durante a gestação, e a alguns tipos de câncer, como o colorretal.

Cirurgia metabólica – possível tratamento

Como a síndrome metabólica está muito associada ao sobrepeso, o principal tratamento base é a mudança dos hábitos de vida, incluindo na rotina exercícios e dieta equilibrada.

Dependendo do resultado clínico e laboratorial, há outros tratamentos específicos. Por exemplo, para aqueles que estão com a taxa de IMC acima dos 40kg/m², há a indicação de cirurgia metabólica. Este procedimento, além de focar na redução do peso, também age no controle do diabetes tipo 2, por isto o termo cirurgia metabólica. Para quem está no grau 2 de obesidade, ou seja, com IMC acima de 35kg/m², a cirurgia só é indicada caso tenha ligação com outra patologia, sendo o diabetes, novamente, a principal associação.


- Há outras alternativas para tratar a doença, como os medicamentos, mas isso depende do tipo de alteração da síndrome o paciente tenha e do objetivo do tratamento naquele momento -  finaliza Dr. Monique Lins.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Medicamentos: Como guardar corretamente?

Armazenamento incorreto interfere na composição química dos remédios

É comum ter uma caixa ou um armário cheio de medicamentos acumulados ao longo da vida. Estão ali seja porque sobraram depois de um tratamento anterior, ou para ter em mãos em caso de necessidade. Mas especialista alerta para dois simples detalhes que nem todo mundo se atenta: a data de vencimento e os cuidados no armazenamento.

De acordo com as normas da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), as embalagens dos medicamentos devem conter, dentre outras informações, número do lote, data de fabricação e orientações quanto ao armazenamento adequado destes produtos. As recomendações são armazenar em locais secos, que não tenham incidência de luz solar direta, sem umidade e arejados.



- É importante evitar armários de banheiro por estarem em um ambiente que tem muita umidade, que, somada à temperatura, modifica a estrutura química do medicamento. O ideal é mantê-los dentro de uma maleta, guardada em quartos por exemplo. Prestando sempre atenção à temperatura, que deve estar entre 15° e 30° graus, para a manutenção do produto – explica Rômulo Carvalho, farmacêutico corporativo da Rede D’Or São Luiz e coordenador do curso de farmácia do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR).

Outro ponto que pode sofrer alteração é a data de validade, que é mais vulnerável dependendo da consistência física do remédio. Por exemplo, os antibióticos de suspensões orais – que precisam ser dissolvidos em água – tem serventia de apenas sete dias após abertura do frasco. A fragilidade também vale para colírios e pomadas, sendo os comprimidos os mais fiéis ao prazo de vencimento informado no rótulo, desde que seja utilizado logo após retirado da embalagem.

- A pessoas também costumam guardar os medicamentos na bolsa para tê-los em mãos sempre que precisarem. Mas os cuidados em relação à integridade também valem para estes casos. A aparência é o que vai dizer se o remédio está bom para consumo mesmo se estiver dentro da validade. Se houver descoloração, desmanche, esfarelamento, bolor e, eventualmente, odor, estará impróprio para consumo – detalha Rômulo Carvalho.

Pode cortar o comprimido para reduzir a dosagem? 

Este procedimento não é indicado, pois há uma questão técnica envolvida. O comprimido é feito de componentes ativos e inativos, que não são distribuídos uniformemente, ou seja, partir ao meio não significa que há 50% deles de cada lado. Portanto, o ideal é utilizar a dosagem exata prescrita. Além disso, um erro leva ao outro, pois as pessoas, além de cortar o comprimido, guardam a outra metade para tomar depois. Mas esta deveria ser descartada.

É possível utilizar mais de um comprimido para atingir a dosagem prescrita?

Não há problema tomar mais de um comprimido, desde que a junção destes resulte na dosagem indicada. Por exemplo, para uma prescrição de 10mg, pode ingerir duas pílulas de 5mg.

Qual a melhor forma de descartar os medicamentos vencidos?

Uma possibilidade é verificar se há farmácias próximas e/ou serviços de saúde que funcionem como postos de coleta. Caso não seja recebam, em pequenas quantidades, pode ser direcionado ao lixo comum doméstico.  No entanto, é preciso ficar atento com o descarte de materiais perfurocortantes, como agulhas, para não provocar acidentes.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Atenção ao coração: Especialistas do Grupo Oncologia D’Or e Rede D’Or São Luiz recomendam cuidados durante o tratamento oncológico


No tratamento contra o câncer, o paciente precisa estar atento a diversos cuidados, como ter uma boa alimentação e praticar atividades físicas regularmente. Com a saúde do coração não poderia ser diferente. Especialistas recomendam uma atenção especial ao órgão, que pode sofrer acometimentos por conta de certos quimioterápicos, como aqueles à base de antraciclícos – bastante encontrados em medicamentos contra o câncer de mama, por exemplo.

O avanço da ciência oncológica contribuiu para uma maior sobrevida do paciente com câncer, mas também acabou comprometendo a saúde cardiovascular de quem lutava contra a doença. Isso fez com que oncologistas e cardiologistas se unissem para um melhor atendimento.



Segundo Gilberto Amorim, oncologista clínico do Grupo Oncologia D’Or, o papel do oncologista é avaliar adequadamente a necessidade de tratamento com quimioterapia à base de antraciclícos, se existem fatores de risco cardiovascular ou doenças cardíacas prévias como angina, infarto, dislipidemia, arritmias e hipertensão grave. “Havendo alternativas, é necessário indicar outros quimioterápicos. E, sempre que possível, solicitar exames básicos de avaliação como o ecocardiograma, por exemplo, e referir os casos para avaliação conjunta com o cardiologista”, afirma o oncologista.

Para Flávio Cure, cardiologista do Hospital CopaStar, da Rede D’Or São Luiz, a avaliação prévia do paciente oncológico é essencial para a evolução do tratamento. Entretanto, o especialista alerta que uma única visita não é o suficiente. “Uma consulta a cada dois meses é o ideal para manter a saúde do coração de quem precisará utilizar medicamentos à base de antraciclícos, por exemplo”, diz.

Para amenizar os efeitos desses medicamentos, o cardiologista explica que existem drogas capazes de evitar o problema. “O uso de beta bloqueadores e inibidores da enzima conversora da angiotensina, por exemplo, atenuam os efeitos cardiotóxicos de certos fármacos”.

Gilberto Amorim ainda lembra que a radioterapia também já chegou a ser uma preocupação. No entanto, ele explica que, com a evolução do tratamento, o cenário mudou.  “Com planejamentos modernos, além de bons equipamentos e equipe especializada, irradiar a mama – e cadeias de drenagem – é muito seguro para a saúde do coração do paciente”, finaliza.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Casos de suicídio aumentam e reforçam a importância de falar sobre o assunto


Transtorno depressivo é uma das doenças que pode levar uma pessoa a tirar a própria vida

Todos os anos, no mundo, mais de um milhão de pessoas tiram a própria vida. Em 2020, a previsão de aumento é de 1,5 milhões de mortes por suicídio ao ano. Os dados assustam, mas fundamentam a importância da Campanha Setembro Amarelo – de prevenção ao suicídio, que pontua que 32 brasileiros se suicidam, por dia – taxa superior às vítimas da AIDS e a maioria dos tipos de câncer. Por ser considerado ainda um tema "tabu", as pessoas fogem do assunto e, por medo ou por desconhecimento não conseguem reconhecer sinais de que uma pessoa próxima está com ideias ou comportamento suicida.



- É bastante difícil compreender o motivo que leva uma pessoa cometer um suicídio, e outras em situações similares não o fazem. Contudo, precisamos levar em conta os fatores emocionais, psiquiátricos, religiosos e socioculturais. Os principais fatores de risco são história de suicídio na família ou de tentativas anteriores de suicídio, e história de transtorno mental. Além disso, perdas recentes podem motivar o ato. Um ponto de atenção é quando a pessoa fala repetidamente sobre o tema da morte ou sobre suicídio – ressalta a psicóloga do Hospital Rios D’Or, Mariana Guedes.
 
Segundo a Organização Mundial de Saúde, 9 em cada 10 casos de suicídio poderiam ser prevenidos, e por isso a esperança e a importância da Campanha Setembro Amarelo: a ideia é "quebrar tabus, falando sobre o assunto, esclarecendo, conscientizando e estimulando a prevenção". Sabe-se que quando ocorre um suicídio, cerca de 6 a 10 pessoas são afetadas diretamente. Então, é de extrema importância compreender o sofrimento não só da pessoa que tentou o suicídio e não alcançou a morte, como também dos familiares, amigos e das demais pessoas próximas.
 
- O suicídio é um problema de saúde pública que não pode ser ignorado. As estatísticas, tanto no Brasil quanto em outros países, têm aumentado exponencialmente. A taxa de suicídio nos Estados Unidos, por exemplo, no início dos anos 2000, era de 11 para 100 mil indivíduos. Em menos de 10 anos esse número aumentou para 13 a cada 100 mil – explica Dr. Paulo Mattos, neurocientista do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) e coordenador do Centro de Neuropsicologia Aplicada (CNA).
 
É importante saber que o trabalho de prevenção do suicídio nunca é solitário, envolve uma parceria com a família e os diversos profissionais (médico, psiquiatra, psicólogo, fisioterapeuta, etc), para que se possa estabelecer um plano de segurança. Além disso, pode-se recorrer ao Centro de Valorização à Vida, através de ligação para o número 141.
 
Depressão: o mal do século – Entre os fatores identificados de desencadeadores do suicídio está a depressão. Mesmo com todos os avanços da medicina, tem afetado milhões de pessoas ao redor do mundo. Considerada a doença do século, a depressão atinge 4,4% da população mundial e 5,8% dos brasileiros, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Os números alarmantes ampliaram o debate sobre o transtorno, mas muito ainda precisa ser feito. Segundo especialistas, falar sobre o problema é um passo importante, já que muitos confundem a tristeza patológica da transitória, provocada por acontecimentos ruins, que podem acometer qualquer pessoa durante sua trajetória de vida.  
 
- A depressão é uma doença que pode afetar pessoas de diversas idades. Por isso, é importante estar atento a certos sintomas, como: fadiga ou perda de energia constante, baixa autoestima, distúrbio de sono (insônia ou sonolência excessiva), estado com o humor triste quase todos os dias, entre outros. O acompanhamento médico é essencial para a evolução do paciente, assim como a participação de amigos e familiares durante este processo – complementa o neurocientista.
 
O especialista destaca que a depressão não é a única doença a levar ao suicídio. A esquizofrenia também pode levar o paciente a tirar a própria vida.
 
FATORES DE RISCO PARA O SUICÍDIO:

- Comportamento retraído ou dificuldade para se relacionar com parentes e amigos;
- Alcoolismo;
- Ansiedade, pânico;
- Mudança na personalidade, irritabilidade, agressividade;
- Pessimismo, depressão;
- Mudança no hábito alimentar ou no padrão de sono;
- Sentimento de culpa, de se sentir sem valor;
- Perda recente importante (separação, divórcio, morte);
- Sentimentos de solidão, desesperança;
- Doença crônica limitante ou dolorosa.

COMO AJUDAR:

- Achar um lugar adequado, onde possa acontecer a conversa com uma privacidade razoável;
- Acolher a dor e o sofrimento, escutando atentamente e com interesse o que a pessoa diz, com calma e sem julgamentos para facilitar a comunicação;
- Aceitar a queixa da pessoa e ter respeito pelo sofrimento dela;
- Expressar respeito pelas opiniões e pelos valores da pessoa;
- Demonstrar preocupação, cuidado e afeto por ela;
- Orientar e acompanhar a busca por profissionais.
 
Centro de Neuropsicologia Aplicada (CNA) - Tanto a depressão quanto a ansiedade são relativamente comuns e podem afetar a atenção e a memória. O aprendizado de crianças e adolescentes, por exemplo, fica comprometido na maioria dos casos. Entretanto, é preciso fazer um diagnóstico preciso entre dificuldades que são secundárias à depressão e dificuldades de aprendizado que, secundariamente, levam à depressão por conta do fracasso acadêmico. Este pode ser um diagnóstico muito difícil, e por isso, o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) se associou, em 2012, ao Centro de Neuropsicologia Aplicada (CNA), que se dedica ao diagnóstico de dificuldades de atenção, memória, linguagem e aprendizado desde 1992.
 
Lá, a equipe liderada pelo neurocientista Paulo Mattos realiza o exame neuropsicológico, que avalia o histórico de sintomas e o comportamento, além das funções intelectuais do paciente, que são: a memória, a linguagem, a percepção visual, a capacidade de planejamento e o controle de impulsos. “No exame, cada uma dessas funções é avaliada de modo objetivo e, depois, é realizado uma correlação de todas elas”, explica Mattos.
 
“No caso de queixas de desatenção, esquecimento, dificuldades de planejamento e até mesmo impulsividade, é fundamental distinguir se elas estão dentro do limite da normalidade ou se fazem parte de um problema que precisa de acompanhamento clínico. O exame neuropsicológico apresenta uma avaliação detalhada, auxiliando o profissional que está responsável pelo caso”, finaliza.
 
O CNA fica na Rua Diniz Cordeiro, 30, Botafogo, no Rio de Janeiro. Além de pesquisas científicas, o Centro de Neuropsicologia Aplicada realiza atendimentos externos.
 

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Atividade física regular pode reduzir sintomas de dor crônica

Atitude do paciente ajuda a ter uma vida com menos sintomas

Caminhadas e corridas nunca estiveram tão presentes na vida do brasileiro. Na última década, movimentar-se é considerado um dos pilares determinantes para a manutenção de uma vida saudável. Mas não só isso, ao contrário do senso comum, que acredita no repouso como combate a algumas doenças, o exercício é indicado pelos médicos como tratamento para dores crônicas.

A dor crônica é definida quando acontece de forma contínua ou intermitente, por um período igual ou superior a três meses. “Este é o tempo mínimo para que o sistema nervoso crie uma memória associada à dor intensa e de longa duração, o que a caracteriza como dor crônica", explica Dr. Thiago Bernardo de Carvalho Almeida, médico do esporte do Hospital IFOR, da Rede D’Or São Luiz.



Ela pode ser combatida com atividade física em diversas ocasiões, como nas dores da região lombar – chamada de lombalgia – que acomete até 85% da população mundial uma vez na vida, segundo dados da literatura médica.

As doenças como a lombalgia, cefaleia, artropatias e osteomusculares relacionadas ao trabalho também podem ser atacadas com a atividade física regular. “São raros os casos de pacientes com artrose em que a atividade física está contraindicada, por exemplo”, explica.

Thiago orienta que no caso da osteoporose, é importante se exercitar tanto na prevenção quanto no tratamento. No caso da fibromialgia, na maioria dos casos, o tratamento medicamentoso não surte efeito se não estiver associado à atividade física. “O uso terapêutico do exercício vem se provando cada vez mais eficiente”, sugere.

Além da atividade física, os especialistas recomendam que os pacientes mantenham também hábitos alimentares saudáveis e uma boa rotina de descanso, pois são fundamentais para a manutenção da qualidade de vida.

O tratamento da dor crônica pode variar de acordo com cada pessoa. Ele cita o exemplo da musculação, que pode ter cargas e repetições diferentes para cada etapa. “Nem sempre o tratamento da dor deve ser individualizado, mas orientado de acordo com as necessidades de cada pessoa. Isso inclui uso de medicamentos, mudança do estilo de vida, prática esportiva, entre outras coisas”.

O Dr. Thiago recomenda ainda que os pacientes procurem uma atividade física ao seu agrado, mas sempre acompanhado de um profissional. “É a manutenção do exercício que trará o bem-estar e uma melhor qualidade de vida”.